Economia & Negócios

Sem adesão, Saúde suspende greve

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 3 min

A falta de adesão dos funcionários do Hospital de Base (HB) foi determinante para que o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde de Bauru (Seessb) suspendesse a greve que estava marcada para começar ontem. O HB conta com 940 funcionários e não houve mobilização para paralisar as atividades. A categoria reivindica 20% de reajuste salarial.

A presidente do Seessb, Marilsa Sales Braga, diz que vai “investigar” os motivos que levaram os funcionários dos três hospitais administrados pela Associação Hospitalar de Bauru (AHB) - Hospital de Base, Manoel de Abreu e Maternidade Santa Isabel -, já que a adesão à greve teria sido confirmada em assembléia, na semana passada, por 680 pessoas. Ao todo, a AHB tem 1.400 funcionários.

“Vou investigar as razões disso porque todos os funcionários se dizem insatisfeitos com os salários e temos uma lista com 680 assinaturas a favor da greve. Na minha opinião, eles devem ter passado por alguma situação de ameaça ao longo da semana passada que os deixou temerosos em participar da mobilização”, diz Marilsa.

O diretor da AHB, José Cardoso Neto, nega veementemente que alguma ameaça, incluindo demissões, tenha sido feita pelas chefias dos três hospitais.

“Seria ridículo nós fazermos isso. Os trabalhadores têm direito a fazer greve e a reivindicar melhores salários. O problema é que, infelizmente, no momento não podemos oferecer mais do que já propusemos, porque enfrentamos dificuldades financeiras. O sindicato sabe disso e nossas contas estão abertas para serem analisadas”, destaca Cardoso Neto.

Marilsa diz que, no Hospital Manoel de Abreu, a maioria dos funcionários (cerca de 200 ao todo) chegou a aderir à paralisação ontem. Mas como o maior número está no Hospital de Base e lá a movimentação foi praticamente inexistente, não foi possível seguir em frente com a greve.

Já Cardoso Neto diz que não houve nenhuma movimentação de greve no Manoel de Abreu. “Três funcionários faltaram, mas isso está constando como falta, e não como adesão ao movimento grevista”, diz.

Reivindicações

No início das negociações, o Seessb reivindicava reajuste salarial de 37,25%. A entidade afirma que a categoria - cuja data-base é 1 de abril - está há dois anos sem reposição.

Na última mesa-redonda feita entre a AHB e o sindicato no Ministério Público do Trabalho (MPT) para tentar acordo, na sexta-feira passada, o Seessb reduziu a reivindicação para 20% de reajuste (15% sobre maio, 2,5% em outubro e 2,5% em dezembro). Mas a AHB continua oferecendo apenas 2%.

A diretoria da associação informa que em nenhum momento o atendimento à população foi prejudicado ontem. “Das 6h às 6h30 (horário da troca de turno) de ontem, nós ficamos com cerca de 150 estagiários à nossa disposição para entrar em ação, caso a greve realmente começasse. Mas nem foi preciso”, observa Cardoso Neto.

O diretor da AHB afirma que, com a ausência de adesão dos funcionários à paralisação, aumentou a reponsabilidade da associação sobre a situação da categoria.

“O fato deles não terem aderido provou que estão conscientes da difícil situação financeira da associação e dos esforços que temos feito para melhorar os salários. Isso fez com que dobrasse a nossa responsabilidade em resolver essa situação o mais rápido possível. Nós queremos que os funcionários ganhem melhor, mas no momento não podemos oferecer mais nada”, define Cardoso Neto.

A presidente do Seessb afirma que vai procurar a AHB para marcar uma nova reunião de negociação.

Comentários

Comentários