• Relatório e CP
A Câmara Municipal de Bauru encerrou ontem mais uma etapa do turbulento processo de avaliação da compra de toneladas de carne para a merenda com pagamento adiantado. A decisão de aprovar o relatório que pede, entre outras coisas, a abertura de uma Comissão Processante (CP) para o prefeito coloca Nilson Costa (PTB) numa situação delicada em relação à manutenção de seu mandato.
• Novo capítulo
Desta forma, vai se iniciar uma nova frente de batalha entre os que defendem que o mandato do prefeito seja preservado e os que pedem sua cassação. Na segunda-feira que vem vai ser votada a instalação ou não da CP. Serão necessários, novamente, onze votos para que a Processante seja instalada. Embora Nilson tenha decidido não fazer declarações ontem, deu para sentir, através de seus aliados, que ele não jogará a toalha. Abre-se hoje, portanto, um novo capítulo desta crise.
• Realidade
Se a CP for aprovada na semana que vem, durante 30, 60 ou até 90 dias (prazo máximo para que os trabalhos se encerrem), as negociações e articulações continuarão a todo vapor nos corredores do poder e até fora deles. Ao prefeito caberá saber lidar com uma realidade em que ele terá de se defender e, ao mesmo tempo, governar Bauru.
• Erro político
A tônica de boa parte dos discursos dos vereadores, ontem, fez referência àquele que talvez tenha sido o maior erro político cometido por Nilson ao longo de quatro anos e meio à frente da prefeitura, que o deixou com poucas forças para reagir em uma situação de alto risco como a de ontem, ou seja, governar sem um arco mínimo de forças políticas. Governar só com grupos mais próximos
• Não foi acaso
A demora nas iniciativas não só políticas, mas também administrativas também cobrou seu preço agora. O fato de estar prestes a enfrentar uma Processante não é por mero acaso e decorre de uma conjunção de fatores, cujo estopim foram as falhas e as irregularidades apontadas pelo JC quando o vereador João Parreira (PSDB) denunciou o fato, no Legislativo.
• Desatenção
O vereador Paulo Eduardo (PFL) votou contra o relatório final da CEI, embora tenha sido a favor da Processante. Depois, o pefelista justificou que errou por descuido. É que José Zito (PPS), que senta ao seu lado, votou a favor do relatório, mas tinha sido contra o processo de cassação. O fato confundiu Paulo Eduardo, que estava distraído na hora.
• Pelo relatório
Mas o voto de Zito Garcia a favor do relatório final, assim como o de Faria Neto, teve outro significado. É que um grupo de vereadores apenas não concordava com o processo de cassação. Esses ficaram livres para tomar posição em relação às demais denúncias. Como a emenda para derrubar a CP caiu, Zito e Faria passaram a apoiar o relatório.
• ‘Reis do ringue’
Nestes momentos decisivos para a história da cidade, o folclore não poderia deixar de dar sua contribuição. Numa cena que beirou o pugilismo, José Zito Garcia e Clemente Rezende quase se atracaram. Zito chamou Clemente de “moleque”, mas depois retirou o que disse. Foi um dos picos de audiência da TV Câmara.