Com tantas disputas pela clientela e um número muito alto de postos de combustíveis na cidade - cerca de 110 -, em pouco mais de dois meses o preço do litro da gasolina comum em Bauru passou da média de R$ 2,20 para R$ 1,679 (queda de 24%). Este último valor vigora em postos de bandeira Ipiranga e Petrobras desde a noite de terça-feira.
Proprietários de postos reclamam, dizendo que com a competição “atípica” que existe em Bauru eles têm perdido muito em margem de lucro. O consumidor comemora. “Temos que investir mais no posto para conquistar os clientes, ao passo que nossa margem está cada vez menor”, diz o comerciante Waldis Bonatelli Júnior.
Para o consumidor, o cenário é de um emaranhado de números e de uma necessidade constante de verificar as alterações de valores para aproveitar as promoções.
No início de abril, a média de preços na cidade variava de R$ 2,18 a R$ 2,21. Contudo, no final daquele mês uma promoção feita pela maioria das distribuidoras levou o litro da gasolina a estampar nas bombas um “preço artificial” de R$ 1,859 numa grande quantidade de estabelecimentos.
Mas naquele momento o mercado esperava uma redução em torno de 4% a 5% no preço praticado ao consumidor final por determinação do governo.
Porém, por volta do dia 9 de maio uma nova promoção baixou o preço da gasolina comum para R$ 1,799 em vários postos. Naquela época, este valor era aproximadamente R$ 0,35 mais barato que a média do combustível no País, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Em contrapartida, em janeiro a gasolina vendida em Bauru era a terceira mais cara do Estado de São Paulo. Os dados foram verificados em uma pesquisa da ANP feita em mais de 90 cidades. Segundo o levantamento, o preço médio do litro do combustível na cidade em janeiro foi de R$ 2,223.
Surpresa
A queda de preços em alguns postos no início desta semana surpreendeu os consumidores, já que a tendência era de alta em função da denúncia de prática de dumping formalizada pelo Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) junto ao Ministério Público Federal (MPF).
O litro do álcool também deu sinais de queda. O valor do produto, antes mantido sempre acima de R$ 1,00 na maioria dos postos, agora pode ser encontrado a R$ 0,899. Ontem, ninguém do Sincopetro foi localizado para comentar o assunto.
O comerciante Waldis Bonatelli Júnior, que está vendendo o litro da gasolina comum a R$ 1,679 em seu posto, diz que com tantas brigas de concorrência e alterações nos preços os empresários do setor não têm conseguido alcançar um ponto de equilíbrio.
“A situação está tão delicada que eu tenho obtido melhores resultados com os outros produtos e serviços que ofereço no posto do que com a venda da gasolina, que deveria ser o carro chefe. No momento, minha margem de lucro está em torno de R$ 0,07. Só o consumidor tem sido beneficiado”, reclama.
De acordo com ele, um levantamento feito em seu posto com “clientes fiéis” mostrou que, com a gasolina mais barata, as pessoas “relaxam” e gastam mais combustível.
“Mesmo assim, o resultado não é suficiente para o posto ter o lucro que precisava”, afirma Bonatelli Júnior. Segundo ele, o preço “ideal” da gasolina neste momento seria em torno de R$ 1,87. Contudo, além dos postos que estão com a promoção de R$ 1,679, vários outros estão vendendo o produto a R$ 1,749.
Nenhum empresário do setor arrisca dizer quanto tempo vai durar essa “lua de mel” entre preços e consumidor, já que isso depende das estratégias das distribuidoras.
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Variáveis
O procurador da República do Ministério Público Federal (MPF) em Bauru Pedro Antônio de Oliveira Machado diz que as quedas dos preços da gasolina que vêm sendo praticadas por distribuidoras podem ser resultado de uma série de situações, que ele chama de “variáveis”. Entre elas, prática predatória, sonegação de imposto, adulteração, e outras.
Contudo, segundo ele, crimes contra a ordem econômica são de apuração muito difícil. “Estamos desenvolvendo uma série de fiscalizações e acompanhando o mercado, mas ainda não é possível apontar uma causa para tantas oscilações. Pode ser, por exemplo, que as distribuidoras tenham resolvido bancar os postos”, afirma Machado.
De acordo com o procurador, até mesmo uma eventual prática de dumping (crime contra a ordem econômica caracterizado pela venda de um produto abaixo do custo), conforme o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) denunciou na semana passada, leva tempo para ser comprovada.