Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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Representantes da cadeia automotiva pretendem discutir, nos próximos dias, um programa emergencial para ajudar o setor a enfrentar a atual crise no mercado. As vendas de veículos estão em queda e as empresas anunciaram férias coletivas e programas de demissões voluntárias.

Montadoras, fabricantes de autopeças, revendedores e trabalhadores querem um pacote de medidas temporárias, que possam ser adotadas até que um acordo setorial mais amplo entre efetivamente na agenda do governo Lula.

Dos vários segmentos envolvidos no setor automobilístico pelo menos três - montadoras, autopeças e Sindicato dos Metalúrgicos do ABC - já entregaram propostas ao governo para aumentar a produção e as vendas de automóveis. A idéia agora é tentar chegar a um consenso entre as propostas, que vão desde a redução de impostos até incentivos às exportações, passando pela garantia de empregos.

O governo criou um grupo para analisar o assunto, com representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Trabalho e Planejamento, mas não houve ainda um encontro oficial para iniciar as discussões com os participantes da cadeia produtiva.

O ministro da Fazenda, Antônio Palocci, disse ao presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, que a formalização dos grupos setoriais deve começar em breve.

Mas a indústria tem pressa. No trimestre março-abril-maio, as vendas de veículos registraram o pior desempenho dos últimos dez anos. A previsão de algumas montadoras é de que as vendas este ano não ultrapassem 1,3 milhão de unidades,voltando assim aos níveis de 1999. Todas as grandes montadoras anunciaram férias coletivas neste mês e a General Motors abriu um programa de demissões voluntárias.

O presidente da Ford do Brasil, Antonio Maciel Neto, disse que um acordo emergencial passa necessariamente pela redução de impostos, o que resultaria na queda dos preços dos carros. “O problema é que o governo teme a perda de arrecadação e não tem demonstrado abertura para discutir o assunto.”

Caso o Banco Central anuncie uma redução das taxas de juros, Maciel acha que o mercado apresentará uma melhora, mas o impacto nas vendas não será imediato. “É preciso também que o consumidor retome a confiança na economia”, disse o executivo.

Frear os aumentos de matérias-primas, como aço, borracha e plásticos, é outra medida defendida por Maciel. O presidente da Ford, entretanto, elogiou os esforços do governo para conter a inflação.

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