É rotina. Você pára o carro no posto para abastecer e logo vem o frentista perguntando se quer que ele dê uma “olhadinha na frente” do seu veículo. E é justamente aí que mora o perigo. Essa famosa verificação pode trazer problemas e, em situações extremas, até colocar em risco a vida do motorista.
Mas quais os limites desse profissional no posto? O que pode ser analisado e o que deve passar longe das mãos do frentista? Segundo o engenheiro mecânico Luiz Cremonezi, da unidade bauruense do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem), eles devem se preocupar apenas com uma pequena lista de itens.
O nível do óleo do motor é um deles, mas a inspeção deve ser feita com alguns cuidados. A começar pelo material utilizado para limpar a vareta medidora, que não deve ser estopa. “Ela solta muitos fiapos que podem grudar na vareta e levá-los até o óleo, prejudicando sua eficiência e diminuindo até a vida útil do filtro. O ideal mesmo é um pano”, explica Cremonezi.
Mas o melhor, conforme o engenheiro, é checar o óleo com o motor frio e em um terreno plano. “Com ele em funcionamento o óleo se espalha por seus componentes. Por isso, estando frio o lubrificante já terá escorrido e o nível correto poderá ser avaliado”, diz ele.
Outro ponto que o frentista pode destinar atenção é o fluido de freio. “Ele deve apenas checar o nível no reservatório, mas a troca, se necessária, tem de ser efetuada em estabelecimentos especializados”, orienta o engenheiro.
Os cinco últimos pontos recomendáveis para a “olhadinha clínica” dos frentistas, segundo Cremonezi, são os níveis da água do limpador do pára-brisa, do radiador e da bateria (no caso das não-seladas), a calibragem dos pneus e a carga do extintor de incêndio.
Entre eles, o diretor do Cetem recomenda atenção especial com o radiador, o extintor e a bateria. No primeiro, o frentista precisa ficar alerta, principalmente nos veículos mais antigos, para não abrir a tampa do reservatório com o motor quente.
Isso porque a água estará sob pressão e, além do propulsor ferver, poderá causar queimaduras graves. “Por isso, somente pessoas treinadas devem efetuar tal operação”, adverte.
Segundo Cremonezi, tal incidente costuma ocorrer com freqüência. “Às vezes, na vontade de querer agradar ao cliente, o frentista, mesmo não estando preparado para tal, mexe onde não sabe. O ideal é que, pelo menos, este profissional tivesse um curso básico de mecânico”, pondera o engenheiro.
Já com o extintor de incêndio, o conselho é o mesmo do caso do fluido de freio. “Ele pode até analisar a validade e a carga do extintor, mas a recarga deve ser feita por empresa especializada”, frisa Cremonezi.
Ele recomenda, ainda, que, se a bateria necessitar de reposição de líqüido, o único possível de ser usado é a água destilada. Água potável nem pensar. “Esta possui cloro, que reage com os componentes químicos internos e estragará a bateria”, diz o diretor.
O engenheiro encerra a “aula” lembrando que mexer nos demais componentes, além dos já citados, é tarefa para profissionais especializados e mecânicos. “Além disso, ler o manual do proprietário do veículo ajuda bastante, pois ele contém todos os cuidados a serem seguidos para o automóvel”, finaliza ele.
____________________
Cada um na sua
Cada macaco no seu galho, ou seja, frentista é frentista e mecânico é mecânico. Esse é o principal lema defendido pelos profissionais dos postos de combustíveis entrevistados pelo AutoMercado&Cia.
Um dos que raciocinam desta forma é José Aparecido dos Santos, na profissão há dois anos em Bauru. Ele ressalta que, normalmente, verifica os níveis da água, do óleo e do fluido de freio, além de limpar o pára-brisa e calibrar os pneus dos veículos. “O frentista pode até entender de mecânica, mas não deve arriscar porque não é o profissional especializado na área”, considera ele.
Segundo José, o frentista deve limitar-se, no máximo, a aconselhar o cliente a procurar uma oficina quando verifica um defeito no veículo. “Querer consertar não é certo”, enfatiza.
Já Vanessa Metzeler, que trabalha na atividade também há dois anos, é outra que toma cuidado na hora da “olhadinha”. Para isso, adota uma tática. “Pergunto sempre o que o cliente pretende verificar”, garante ela.