Assistindo a novela “Mulheres Apaixonadas” acredito que muitas mulheres como eu, tenham se identificado com a personagem Heloísa, vivida pela atriz Giulia Gam.
Fui casada durante oito anos e deste casamento resultaram duas filhas, que são minha razão de viver.
Fiz daquele homem a minha vida, o meu mundo, o ar que respirava. Sentia ciúmes um ciúme doentio. Controlava sua vida, seus horários, remexia em sua carteira, cheirava suas roupas, ligava a toda hora com desculpas diversas, mas na verdade só queria saber aonde ele estava, o que estava fazendo, de forma sufocante.
Nosso relacionamento foi caindo, acabando-se aos poucos e íamos vivendo aos trancos e barrancos, entre idas e voltas.
Confesso que ele também não era um marido exemplar, um pai amoroso. Talvez, pelo fato de eu sufocá-lo tanto, a cada dia ele se afastava mais de mim, de sua família. Ele saía cedo e chegava de madrugada em casa. Saía todos os dias. Às sextas-feiras, sempre tinha um churrasco só de homem para ele ir. E eu ficava em casa esperando, rezando, pedindo a Deus para que ele voltasse para casa. Quantas noites, quantas madrugadas passei acordada esperando por ele. Ele voltava sim e as brigas começavam. Ele fazia tudo de forma a me culpar e a me fazer enxergar que ele fazia tudo aquilo por minha culpa. Eu aceitava a culpa e ainda, muitas vezes, pedia desculpas.
Procurei por ajuda de profissionais e tentava mudar, como realmente mudei. Cheguei a ficar mais calma, a não pegar tanto no pé dele, mas não conseguia suportar o fato dele chegar todo dia em casa de madrugada.
Até que o grande dia da verdade chegou e chega para toda aquela mulher que procura. Descobri que ele tinha uma amante. Chorei, gritei, quis morrer, mas ele me disse que eu estava enganada e que não era verdade, que me amava. Eu preferi acreditar para não sofrer, para não perder aquele homem que eu amava tanto.
O tempo foi se passando, ele nada de mudar. Sempre me ignorando, parecia que tinha vergonha de mim. E eu fazendo tudo por ele. Devo confessar que mais parecia uma mãe do que uma esposa, do que uma mulher, do que uma amante.
Num momento de cansaço por tanto sofrimento, resolvi por fim naquele casamento e pedi a separação. Nos separamos em fevereiro de 2000 em meio a muita dor, muito sofrimento. Parecia que haviam tirado um pedaço de mim.
Passamos dois meses separados, e voltamos. Parecia que estávamos em uma nova lua-de-mel. Porém, nesta separação ele mudou-se de cidade e vinha para casa a cada 15 dias. Ficamos assim durante uns seis meses e ele sempre se esquivando de nos levar para morar com ele.
Chegou dezembro e com ele as férias escolares. Meu irmão faleceu neste mês e ele veio para o velório. Era dia 6. Quando ele foi embora, pedi que levasse nossa filha mais velha para passar uma semana com ele e que voltasse na próxima semana , pois era aniversário dela. Novamente, o pesadelo chegou, pois ele teve a capacidade de levar uma mulher para dormir no apartamento dele com a minha, com a nossa filha, dormindo lá. Foi o fim.
Hoje, ele está morando com uma outra mulher. Sei que ele não a ama. Homens têm dificuldade de ficar sozinhos e ele apenas se acomodou. Teve um filho com ela, refez sua vida. Não temos amizade. Temos muita mágoa, muito rancor, que tento a todo custo tirar do meu coração. Nas poucas vezes em que nos falamos, ainda brigamos, nos ofendemos mutuamente.
Foi muito difícil ter sido uma Heloísa na vida. Ainda hoje sofro as conseqüências. Mas me acho forte, porque soube colocar na balança o que pesava mais em minha vida. Se o amor ou a dor. E a dor pesou muito, muito mais forte.
Eu ainda não tenho ninguém. Não consigo amar ninguém. Sinto-me vazia. Fico pensando em como o homem consegue tão rapidamente se refazer na vida e casar-se tão rapidamente. Com seis meses de separação, ele já estava morando com outra e tendo outro filho. Como pode se esquecer dos filhos que teve no primeiro casamento, como se fossem objetos que podem ser descartados?
Apesar de tudo, estou bem. Consegui reestruturar minha vida, meu amor próprio, minha vida financeira, que ele também havia destruído, e vou seguindo em frente. Um dia depois do outro, lutando para criar dignamente minhas filhas e tentar, na medida do possível, ser feliz, muito feliz, nem que seja por 24 horas. Obrigada.
PS: Peço permissão para não me identificar, pois “EU” não tenho um nome próprio. Sou apenas “Heloísa”, como muitas outras mulheres que se identificarão quando lerem esta minha história.