Se você é daqueles que deixam o manual do proprietário do seu automóvel criando teias de aranha ou mofando no interior de uma gaveta, então está na hora de repensar seu comportamento em relação a ele. Isso porque nele estão contidas todas as informações essenciais para garantir a manutenção e o funcionamento perfeito de vários componentes dos veículos.
Segundo Marcelo Jardim, gerente de pós-vendas da concessionária bauruense Meta/Fiat, o manual pode ser considerado como a “Bíblia” do automóvel. Ele enfatiza que somente através de sua leitura um motorista poderá obter o máximo de desempenho do veículo. “Nele a pessoa conhecerá todas as características do produto que a ajudarão tanto na hora de dirigir quanto na manutenção”, ressalta ele.
Entre elas, Jardim destaca os períodos corretos das revisões, os detalhes da garantia, dos direitos e deveres do proprietário e os itens mecânicos que o próprio motorista deve verificar, como a calibragem semanal dos pneus.
Ele exemplifica que em carros Fiat tais componentes, como o cabo da vareta medidora do nível do óleo e as tampas dos reservatórios da água do limpador do pára-brisa e do fluido de freios, são pintados em amarelo. “É uma informação importante que pode ser encontrada no manual”, destaca.
Jardim sustenta que através do manual o dono poderá “entender” seu automóvel. “Às vezes, a pessoa pensa que seu carro está com defeito e procura a concessionária ou um mecânico para solucioná-lo. Na realidade, isto pode ser uma característica do veículo devidamente especificada”, esclarece.
Além disso, o gerente enfatiza que a leitura do manual vem crescendo em importância devido à utilização cada vez maior de sistemas eletro-eletrônicos nos carros modernos. “Nesse caso, lê-lo torna-se questão praticamente obrigatória, uma vez que explica em detalhes o funcionamento desses componentes”, frisa ele.
Outro ponto fundamental lembrado por Jardim são as dicas de condução do veículo, que muitos desconhecem estar presentes nos manuais. O gerente salienta que o modo de dirigir influencia decisivamente na relação custo/benefício do automóvel, especialmente no consumo. “Lendo-o o proprietário saberá o momento adequado para trocar as marchas a fim de otimizar o gasto de combustível”, diz ele.
Por essas razões, o gerente entende que, se o manual não fosse tão desprezado, cerca de 20% dos problemas de manutenção poderiam ser evitados. “Os donos de veículos não teriam tanta preocupação com defeitos corriqueiros do dia-a-dia”, garante Jardim. “Além disso, quando um leitor assíduo dele chega a uma concessionária já está bem-informado”, acrescenta.
Chatice
Para o gerente de pós-vendas da concessionária Meta/Fiat, Marcelo Jardim, os motoristas nacionais não têm o hábito de ler o manual por desconsiderar sua importância. Entretanto, ele considera que o conteúdo técnico do pequeno livro também acaba desestimulando seu manuseio. “Os dados técnicos, que as montadoras têm por obrigação colocar, é o que deixa o manual chato”, frisa ele.
Segundo Jardim, apesar de tais informações normalmente encontrarem-se separadas das demais, mas dentro do mesmo manual, o ideal seria que elas viessem em livretos distintos. “Talvez isso ajudaria a aumentar o índice de leitura”, pondera o gerente.
Mesmo assim, ele recomenda não deixar o manual às moscas. “Se a pessoa não entender algo nele, pode entrar em contato com as agências autorizadas ou os serviços de atendimento ao consumidor das marcas a fim de esclarecê-las”, conclui Jardim.
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Fanático
O representante comercial bauruense Nélito Edelberto Bife, 36 anos, nada contra a maré. Isso porque ele define-se como um “fanático” por manuais de todos os tipos, sejam eles de eletrodomésticos e, principalmente, de veículos.
Dono de uma perua Palio Weekend, ele não teve dúvidas quando a adquiriu, há cerca de seis meses: uma das primeiras coisas que se preocupou em fazer foi ler o manual do automóvel, tarefa cumprida em exatos dois dias. “Tudo que se precisa saber está escrito nele”, destaca Nélito.
Para prevenir-se contra qualquer imprevisto, o representante comercial mantém o manual guardado sempre no porta-luvas de seu carro. “Desta forma, qualquer dúvida que surge já esclareço rapidamente”, explica ele.
Nélito revela que, graças à leitura atenta do manual, soube corrigir alguns vícios ao volante. “Por causa da pressa, tinha o péssimo hábito de ficar com o pé na embreagem fazendo rampa desnecessariamente. Vi que isso não é bom para o carro e parei”, garante. “Além disso, descobri informações úteis, como a capacidade do tanque e do porta-malas”, complementa.
Para o representante comercial, se metade dos donos de automóveis lessem os manuais, os problemas diminuiriam em igual proporção. “Brasileiro é preguiçoso e acomodado e sempre acha que entende tudo de carro. Mas lendo o manual a gente descobre que a realidade não é essa”, destaca Nélito.
Ele finaliza seu raciocínio alertando que até mesmo quem vai comprar um carro usado deve pedir o manual do proprietário. “Este praticamente é a vida do carro e, se o dono ainda o possuir, é um bom sinal, pois indica que ele se preocupa com seu automóvel”, diz.
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Despreocupado
O taxista José Limeira Garcia, 57 anos, já dedicou 20 deles à profissão. Dono de um Santana 2002 modelo 2003 adquirido em dezembro, ele afirma que não se preocupa muito em ficar lendo o manual de seu veículo. “Sei que é um erro”, confessa.
Segundo Garcia, ele só se preocupa com o manual quando quer saber algo, como verificar o consumo do automóvel. “Se o carro é novo e está na garantia, não preciso esquentar tanto a cabeça com isso”, justifica o profissional do volante. Apesar disso, ele faz questão de dizer que anda com o manual devidamente guardado no porta-luvas.
O taxista enfatiza que, com tantos anos de experiência na atividade, já sabe tudo o que tem de fazer para deixar a manutenção em dia, como checar periodicamente os níveis da água e do óleo no motor. “A gente se acostuma com o veículo e descobre rapidamente qualquer coisinha errada”, conclui Garcia.