Ser

De arrancar suspiros

Luly Zonta
| Tempo de leitura: 6 min

Que o moço é lindo, nem é preciso dizer. Se bobear é até mais bonito pessoalmente. Mas para surpresa de muitos que, segundo as línguas de Matildes, como diz o colunista de tevê do JC Flávio Pedroso, propagavam que ele é chato e estrela, Erik Marmo de Moraes se revela encantador e tem simpatia para uma legião de atores.

Pelo menos foi o que se percebeu na semana passada em Bauru, quando o ator veio participar da inauguração do novo sistema das Casas Pernambucanas. Ele causou furor no Calçadão da Batista de Carvalho e, é claro, na loja de departamentos que contratou um esquema de segurança reforçado e, mesmo assim, em defesa do galã, alguns homens acabaram sendo feridos pelas unhas das tietes desesperadas. Graças a eles, Marmo saiu ileso, mas passou horas tirando fotos e dando autógrafos.

Em uma rápida entrevista, Erik Marmo conta que o tumulto é comum quando está fora do Rio, mas já se acostumou com o assédio.

Apesar de ter caído no mundo artístico por mérito próprio, não tinha o sonho de ser ator. Aliás, como todo carioca, pegar onda todos os dias é um ritual de do qual não se cansa. Segundo ele, a prancha de bodyboarding, não sai do carro. Jogar futebol também é um dos hobbies que o ator procura conciliar com as gravações.

Ao contrário do que se possa imaginar, Marmo não toca nada, nenhum instrumento. “Mas juro que vou aprender”, profetiza.

Jornal da Cidade – Como foi sua trajetória sendo o Sócrates, da “Malhação”, o João Pedro, de “Sandy e Júnior”, e agora o Cláudio, de “Mulheres Apaixonadas”? Erik – Mas você já sabe... (cai na gargalhada)

JC – Mas eu quero saber como foi o processo... Quero detalhes! Erik – Eu comecei a estudar, comecei a fazer cursos. Fiz a oficina de atores que a Globo mantém, fiz alguns testes. Surgiu a oportunidade do Sócrates, logo depois teve o projeto do Sandy e Júnior, fui convidado para fazer e dali já fui chamado para a novela.

JC – Você quis sempre ser ator? Erik – Não.

JC – Não?! Erik – Sempre, não (risos). Eu resolvi com uns vinte e poucos anos.

JC – Mas você está com 26? Erik – Vou fazer 27 semana que vem. (Ele fez aniversário na última terça-feira, dia 24, é do signo de câncer, mas não sabe o ascendente).

JC – Como você lida com essa história de assédio? É sempre assim? Erik – Em cidade mais longe é. Quanto mais você sai, mais você vai se afastando do Rio...

JC – Mas mesmo no Rio de Janeiro você consegue hoje andar normalmente, pegar onda normalmente? Erik – Ah! Mas dentro dágua elas não vão... (risos) Quando tem onda, disso eu escapo... Não, eu vou ao shopping, mas é bom evitar de ir num sábado às oito horas da noite, que é um horário que está mais cheio. Mas eu vou ao Barrashopping, vou à praia, ao cinema.

JC – Até agora você não se privou de nada por causa da fama? Erik – Até agora não. Só evito isso que eu falei: ao invés de ir ao shopping na hora de maior movimento, procuro ir um pouco antes. Mas se tiver que ir na hora de movimento, eu vou também!

JC – Durante o processo de aprendizado de teatro já era meio inevitável o rótulo de galã, até mesmo por parte do pessoal da turma? Erik – Eu acho até que é. Não tem jeito. Comecei assim... Na “Malhação” não, porque eu fiz um homossexual. Mas aí eu fiz “Sandy e Júnior” como par da Sandy, aí já foi... E agora com a Carol (Carolina) Dieckman também. Mas acho que não tem como lutar contra isso. Acho que a melhor maneira é mostrar que você é capaz, porque aí você fica galã com talento... (faz charme) De galã você não escapa!

JC – Desses galãs talentosos, com você agora na novela tem o José Mayer e o Tony Ramos. Acho que você lembra muito o Edson Celulare, que é daqui de Bauru. Temos também o imbatível do Tarcísio Meira. Existe algum deles em que você se espelha ou diga: quando o meu trabalho ficar maduro vai ser como o desse cara? Erik – Não, tem vários que eu acho legais.

JC – Quais? Erik – Os que você já falou. O Celulare é legal, o (Antônio) Fagundes também. O Stênio Garcia não é galã (risos), mas é muito bom ator e tal. Eu me baseio em vários, não só nos que são galãs, nos que são bons atores. Não tenho ídolos, mas são pessoas em que procuro me espelhar, pelo comportamento e no direcionamento de carreira, sabe? Mas eu não considero ídolos. São exemplos. Eu procuro pegar o que têm de bom e o que dá certo, mas não fico me baseando numa pessoa só, até porque cada um tem a sua história. Eu tenho a minha, e vamos ver o que acontece, né?!

Imprensa – O que você está achando do Cláudio? Erik – O Sócrates, meu primeiro personagem, me exigiu muito mais em termos de composição que o Cláudio. Mas esse personagem é muito parecido comigo, em termos de comportamento. É o cara que pratica tudo quanto é tipo de esporte, é um cara educado, se dá bem com todo mundo, não tem problemas de comportamento e eu sou assim. Só que um pouco mais fechado que o Cláudio. É engraçado que eu ando na rua e o povo deseja que eu abrace, mas eu sou bem mais tímido.

Imprensa – Já tem um novo projeto engatilhado? Erik – Não tenho nada ainda. Às vezes, chega um e diz: pô! Vamos fazer isso. Ainda não tem quatro meses de novela para eu decidir o que vou fazer depois, mas acho que ainda tenho que me manter concentrado nesse trabalho e não na carreira.

Imprensa – Você está namorando? Erik – Não, não.

Imprensa – Está enrolado? Erik – Anh! Anh! (balança a cabeça em sinal de mais ou menos)

Imprensa – É a Vanessa Camargo? Erik – Eu prefiro não falar sobre a Vanessa.

Imprensa – Você é vaidoso? Erik – Não. Só ando assim, de jeans e camiseta e tênis sujo, olha só... (mostra os pés num tênis camurça que estava marrom, mas a meia era branquíssima. A calça jeans, ele mesmo cortou a barra.) Para mim tem duas coisas que têm que estar sujas: tênis e carro. Eles nunca estão muito limpos. O meu carro vive com areia, prancha, bermuda na mala, sunga e toalha molhadas. Está sempre bagunçado. A prancha está sempre no carro, porque sempre que posso pego onda todo dia.

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