A partir do dia 1, os portadores de deficiência física severa (usuários de cadeiras de rodas) vão ter duas vans para serem transportados gratuitamente, mediante inscrição e agendamento. Porém, a proposta do Ministério Público (MP) é ampliar o serviço aos deficientes, através da adaptação (implantação de elevador) gradativa dos ônibus coletivos de Bauru, até chegar a 45% da frota, conforme solicitação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência de Bauru (Comude).
Gustavo Zorzella Vaz, promotor da Pessoa Portadora de Deficiência, propôs às empresas que operam no transporte coletivo de Bauru que adaptem 15% da frota por ano, até chegar a 45% dos veículos com elevadores que possibilitem aos deficientes embarcar e desembarcar com facilidade. “Recebemos a representação do Comude e em dezembro do ano passado fizemos essa proposta às empresas e à prefeitura, que a princípio a rechaçaram”, conta.
O argumento das empresas e da prefeitura, segundo o promotor, é que a adaptação dos ônibus é cara, o que aumentaria o déficit da Câmara de Compensação Tarifária. “Também alegaram que quem pagaria pela adaptação, no final, seriam os usuários. Mas é preciso levar em conta as necessidades dos deficientes. Por isso, vamos tentar o acordo. Se não for possível, poderemos propor uma ação civil pública contra a prefeitura, responsável pelo transporte coletivo, para que providencie a adaptação dos ônibus aos deficientes”, avisa.
Atualmente, segundo Zorzella, Bauru tem apenas três ônibus coletivos adaptados aos deficientes. “Como são só três unidades, não atendem todos os deficientes. Por isso propusemos que 45% da frota sejam adaptados em cinco anos. Esse percentual, de acordo com o Comude, é suficiente para atender os deficientes da cidade como um todo”, frisa.
As vans serão um transporte diferenciado, oferecido somente aos portadores de deficiência severa, portanto não atende a todos. O serviço será oferecido pelas empresas que operam no transporte coletivo de Bauru de graça. Franscisco Takao Kajino, coordenador do Comude, acredita que haverá pelo menos 100 interessados no transporte.
A Secretaria Municipal do Bem-Estar Social (Sebes) e as entidades que atendem deficientes estão fazendo o cadastro para o uso das vans. Na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) já havia mais de dez interessados anteontem, segundo Vânia Grassi, diretora técnica da entidade.
“Esse transporte vai ajudar muitos dos nossos usuários. Hoje, eles contam com o ônibus da prefeitura para ir à escola, mas não têm transporte para os serviços de saúde e lazer. Alguns até deixam de fazer as terapias, como a hidroterapia, por causa do transporte”, diz.