Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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Uma crise sem precedentes. Talvez essa seja a melhor definição do atual momento do mercado automotivo nacional. As montadoras têm hoje cerca de 160 mil veículos encalhados. As vendas no primeiro semestre foram as mais baixas dos últimos três anos. Somaram 647,5 mil unidades, 8,2% a menos que em igual período de 2002.

As montadoras alegam estar operando com altos prejuízos no Brasil por conta da ociosidade de suas fábricas, que passa de 40%. As unidades instaladas no País têm capacidade para produzir 3,2 milhões de veículos, mas este ano devem fabricar menos de 1,8 milhão.

Exemplo da gravidade da situação pode ser visto nas declarações do presidente mundial da Renault. “Nosso grupo perde muito dinheiro no Brasil. Não vemos nenhuma saída para a situação no momento”, afirmou, na França, Louis Schweitzer. No mês passado, o grupo desistiu de um projeto de produzir na fábrica do Paraná um novo carro que teria boa parte da produção voltada às exportações.

Outro exemplo são as demissões. A General Motors mandou embora 450 trabalhadores na fábrica de São José dos Campos, Interior de São Paulo e também há cortes previstos na unidade de São Caetano do Sul, no ABC paulista.

Antes dela, a Volkswagen já havia informado ter um excedente de 3.933 funcionários em seu quadro de pessoal e anunciou a criação de uma empresa de recolocação. A medida foi rejeitada pelos funcionários da Volks, que ameaçam entrar em greve.

Segundo Pinheiro Neto, vice-presidente da GM do Brasil, o mercado de carros, que estava frio, ficou congelado por conta de anúncios de medidas para incentivar as vendas. “Cada dia se lançava um programa diferente”, disse Pinheiro Neto, referindo-se às declarações desencontradas de membros do governo sobre o pacote de ajuda ao setor que estava sendo negociado com as montadoras e os trabalhadores.

Considerado um plano de emergência, previa a redução de impostos e financiamento especial para reduzir estoques. O setor ainda não descarta a adoção de medidas por parte do governo, mas acha que devem ficar apenas no plano de linha de crédito com juros menores que os de mercado.

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