Os militantes das juventudes peemedebista e comunista anunciaram ontem que estarão juntos na disputa do 7.º Congresso da União dos Estudantes Secundaristas de Bauru (Umesb), cuja realização deverá ocorrer até meados de agosto. O PC do B detém a hegemonia da entidade desde que ela foi reativada, em 1993. Já o PMDB, que nesta fase pós-reconstrução não teve representatividade formal entre os secundaristas, lançou críticas dois meses atrás sobre o fato de a Umesb não se abrir para outras tendências.
A renovação do comando da entidade já deveria ter sido convocada, uma vez que o mandato da atual direção terminou no final de junho. “Reconheço o atraso”, redime-se sem mais justificativas o atual presidente da Umesb, Rafael Gomes, que já cursa o ensino superior. Este fato, por sinal, também foi questionado pelos hoje aliados, que julgaram incoerente um universitário representar estudantes do ensino médio.
As divergências, no entanto, parecem ter sido corrigidas. “O PMDB está assumindo o compromisso de agir intensamente em favor dos anseios da comunidade estudantil, bandeira que até então só vinha sendo levantada pelo PC do B”, discursa Gomes. “Queremos um congresso forte e viemos somar com a juventude socialista em torno desse objetivo”, consolida Gustavo Moura, do PMDB.
Até o momento, nenhum dos dois partidos abre o jogo sobre como serão tratadas as questões relativas à formação da chapa. Os nomes certamente não sairão do primeiro escalão das militâncias, pois seus principais líderes não são mais alunos do ensino médio, premissa indispensável para ser candidato.
No próximo dia 2, um ato político em local ainda a ser definido, deverá selar a coalizão das duas juventudes e lançar efetivamente a campanha para o congresso. O mote da dobradinha será a unificação do movimento estudantil, que vem desmobilizado de longa data e nitidamente partidarizado.
Para Gomes, a conquista de um movimento mais engajado passa primeiro pela ampliação da representatividade dos alunos. No dia 6, o Conselho Municipal de Entidades irá se reunir para definir as diretrizes do congresso.
Assim como na última eleição da Umesb, em junho de 2001, a juventude do PC do B – agora com o PMDB – vai defender a representatividade proporcional para compor a direção. Em outras palavras: quanto mais votos, mais cadeiras no comando.
Outra proposta – que parece ser a única novidade – é reduzir a base de alunos para indicar os delegados que participarão da escolha direta no congresso. Em 2001, um delegado era escolhido a cada grupo de 200 estudantes. A idéia agora é de um delegado para cada 100.
Matematicamente, a representatividade dos aproximados 45 mil alunos do ensino médio de Bauru dobrará se a proposta for aceita.
Alheia, mas na disputa
Enquanto os jovens militantes do PMDB e PC do B falam em datas e sacramentam estratégias de campanha, a Juventude do PSTU corre alheia às informações, mas com o firme propósito de participar, pela primeira vez, de um congresso da Umesb.
Em atividade desde o início deste ano em Bauru, os jovens do partido taxado de radical e de extrema esquerda sequer sabiam da existência da Umesb. A estudante secundarista Beatriz de Campos, de 16 anos, membro da ala, afirma que a Umesb está muito longe de cumprir o seu papel, pois nem é lembrada entre os seus representados.
Sobre a aliança do partido que há dez anos comanda a entidade com o PMDB, Beatriz lança uma crítica curta e grossa: “A união é para garantir vitória e a manutenção dessa política que nós só viemos a conhecer agora porque não faz nada”.
Para concorrer ao congresso, a militância tem procurado os grêmios e estudantis e proposto a campanha “Frente dos grêmios em luta”.
A letargia da Umesb não é uma crítica isolada da oposição. “A Umesb está esquecida e realmente é desconhecida entre os estudantes. Ela precisa funcionar como um sindicato. Hoje ela não funciona de nenhum jeito, não consegue desenvolver projetos”, aponta Alexandre Bastos, da ala jovem peemedebista.
O próprio presidente da entidade, Rafael Gomes, admite que as ações deixam a desejar, mas socializa a culpa: “Todos temos responsabilidades. Eu, os grêmios, os professores, os diretores de escola e os próprios alunos”.