Após anunciar anteontem seu licenciamento do Campeonato Paulista, o Bauru Basquete iniciou ontem o desmanche de seu time adulto. O presidente Caio Coube se reuniu com atletas e comissão técnica e liberou todo o elenco do vínculo contratual. A partir de hoje, todos os jogadores têm liberdade para acertar com qualquer outra equipe.
Sem dinheiro para a manutenção do time, a diretoria tomou a atitude para não prejudicar os jogadores, que ficariam sem atuar. Dos patrocínios oficiais, o Bauru Basquete só continua contando com a Fiat. A Flag Petróleo de Bauru, distribuidora de combustíveis, não renovou contrato e o Frigorífico Bertin, de Lins, não se pronunciou sobre o assunto.
Vinícius Coube, vice-presidente do Bauru Basquete, afirma que a crise financeira do time chegou a um ponto insustentável. “Na situação em que nos encontramos, sem patrocínio, resolvemos parar por um ano e esperar para tentar viabilizar a volta do time. As empresas estão muito retraídas em relação a patrocínio. Vamos parar e esperar que haja alguma mudança”, revelou.
Desanimado com a situação do esporte brasileiro, Vinícius faz um alerta. “Se não houver uma lei de incentivo ao esporte, como a Lei Sarney, onde os empresários possam debitar dos impostos o que investirem, fica impossível viabilizar uma equipe competitiva. Quem fala isso há muito tempo é a Hortência. É a realidade. Com o incentivo, a economia pode estar bem ou mal que as empresas vão investir”, comenta.
“Quando o ministro dos esportes (Agnelo Queiroz) assumiu, afirmou que iria implantar uma política de incentivo ao esporte. Fiquei superanimado. O tempo passou e nada. Mandei e-mail ao ministério e não recebi resposta. Do jeito que está não dá mais para bancar, correr riscos e passar nervoso. Chegamos ao limite”, desabafou.
Carreira meteórica
Com o fim do time adulto do Bauru Basquete, o técnico Raul Togni encerra sua passagem no comando da equipe com apenas oito jogos, todos pelos Jogos Regionais, onde bauruenses terminaram em quarto lugar. “Foi uma carreira meteórica e nem consegui o título”, brinca.
Porém, mais que a perda do título regional, Raul, um dos principais nomes do basquete bauruense, lamenta o final de todo um projeto. “Chegamos ao fundo poço. Fico triste, pois tínhamos esperança (de patrocínio)”, revela.
Raul ainda não tem seu futuro definido, mas pretende dar continuidade ao trabalho nas categorias de base do clube, que serão mantidas. “Vou conversar segunda-feira com a diretoria e ver no que posso ajudar. Adotei Bauru e não tenho interesse em procurar outra equipe. Pretendo ficar por aqui até porque ainda não mostrei trabalho como treinador”, disse.
Mesmo em relação ao trabalho de base, Raul se mostra pouco otimista. “É difícil, principalmente no juvenil, pois jogadores de ponta não vão querer vir para uma equipe que não disputa campeonatos adultos”, considera.
Com o desmantelamento da equipe, Bauru, além dos “medalhões” Brasília e Jefferson, perde jogadores promissores, como os alas Rodrigo e César, o ala/pivô Felipe e o pivô Murilo, que integra a Seleção Brasileira.
É o fim de um time que em seis anos conquistou um título Paulista (1999) e Brasileiro (2002), revelou o armador Leandrinho, criou uma torcida fanática e inseriu Bauru no mapa do basquete masculino brasileiro.
Nomes como Guerrinha, Vanderlei, Josuel, Maury, Jeffty, Marlon Anderson, Patterson, Everaldo, Evans, Gema e do próprio Raul ficam na memória dos torcedores como lembrança de uma equipe vencedora. Quem resume bem a situação é Raul. “A equipe adulta já ficou na história.”