A poucos quilômetros de Bauru existem tesouros ainda não descobertos pelos apreciadores de uma boa “branquinha”. O programa, inclui uma volta ao século passado através dos casarões construídos nos áureos tempos do café e que hoje abrigam alambiques e histórias dos desbravadores. A rota da cachaça não é só um passeio inesquecível, mas uma oportunidade de conhecer os segredos da zona rural e ter contato com personagens vivos da história que poucos conhecem.
A rota da pinga na região de Bauru começa na rodovia Marechal Rondon, sentido Interior-Capital. Na primeira entrada para a cidade de Lençóis Paulista (SP-261, saída 301 A, sentido Santa Bárbara) está localizada a destilaria Marimbondo. Encontrá-la é muito fácil. Além da placa indicativa, a fumaça misturada ao cheiro leva o visitante direto para a família Momo, fabricante de aguardente.
Os italianos, que além da pinga fabricam licores e bolos para receber os visitantes, são personagens da empresa familiar considerada uma das mais antigas do gênero na região, avisa o patriarca da família, Antônio Momo.
De acordo com ele, os sete mil litros de aguardente fabricados diariamente na destilaria são vendidos para quem pagar mais. “Eu engarrafo muito pouco. A venda a varejo é um hobby e uma maneira de manter contato com o público. A maior parte da produção é vendida para a indústria de pinga.”
A venda em grande quantidade é feita quando a família precisa de dinheiro. “Vendemos quando precisamos de dinheiro. Quando o preço não agrada, armazenamos.”
A produção de pinga garante o sustento de “seu” Antônio e de seus dois filhos. “Trabalhamos juntos. Eu aprendi a fazer aguardente com meu pai que por sua vez aprendeu com o pai dele. Na nossa família só mexemos com pinga, boi e porco”, conta.
Para ele, a destilaria continua em atividade porque a família é quem toma conta. “Todo mundo fala que o que engorda o boi é o olho do dono. Eu digo que a pinga só dá lucro se os donos trabalharem, por isso temos só dois funcionários.”
Trabalhar, aliás, é o que o “seu” Antônio mais sabe fazer. Com seus 70 anos, ele participa ativamente de todas as etapas de trabalho da destilaria. Correndo de um lado para outro, ele domina o processo e o maquinário comprado para acompanhar a modernização. “Nós investimos para poder continuar em atividade. As máquinas fazem a maior parte do processo de fabricação”, explica.
O italiano falador não se contenta em só trabalhar na fabricação da aguardente, faz o papel de relações públicas e convence até quem não bebe a experimentar sua especialidade, a pinga de canela com mel. “É um verdadeiro licor”, anuncia.
Sabor diferenciado
A aguardente é fabricada pura e uniforme, graças aos equipamentos, informa Momo. “O envelhecimento em tonel de Carvalho gera uma pinga amarelada e com sabor diferenciado. Já a mistura com abacaxi fornece outro tipo de bebida.”
O segredo da cachaça mais procurada e vendida, a canela com mel, ele não revela, mas garante que é a melhor. “A apresentadora Ana Maria Braga já experimentou e gostou. Uma pessoa levou para ela” orgulha-se “seu” Antônio.
O jeito carinhoso de fazer a mistura é que dá sabor a bebida, frisa o descendente de italiano. “Até o cheiro é diferente, nem parece pinga. O público feminino gosta muito. Tem gente de outros Estados do Brasil que nos procuram para comprar”, comenta.
Na destilaria Marimbondo é possível apreciar licores dos mais diversos sabores. “Temos licores de chocolate, anis, piqui, coco, mel, vinho, figo, canela, jabuticaba, amendoim e nozes com leite condensado.”
Para o visitante que experimenta o licor, o “seu” Antônio oferece um pedaço de bolo tipicamente caipira.