Saúde

Diagnóstico é complexo e demorado

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Identificar qual é o agente desencadeador das crises alérgicas requer observação e paciência. Os testes disponíveis avaliam os agentes mais comuns. Porém o indivíduo pode reagir às mais diversas substâncias, até mesmo à água (pelo cloro ou qualquer outro elemento presente nela).

“Não existe um teste em que você descobre do que a pessoa tem alergia. O que a gente faz é desconfiar de alguma substância e testá-la isoladamente para ver se a pessoa sofre alguma reação. E às vezes, o paciente tem alergia a produtos que ninguém poderia imaginar. Por isso o diagnóstico é demorado”, salienta o pediatra alergologista Felinto dos Santos Neto.

Ele afirma que os testes de contato são a primeira opção para avaliar o paciente. O exame é simples: o médico pinga reagentes de diversas substâncias no braço da pessoa; em seguida, ele usa um objeto pontiagudo para “cutucar” (sem perfurar) a pele e facilitar a absorção do produto; depois de dez minutos, todos os pontos estarão vermelhos, porém, onde houver agentes alergênicos, haverá marcas salientes, semelhantes às picadas de pernilongo.

Porém, os testes de contato usam ‘kits’ com apenas alguns dos alérgenos mais freqüentes. Nem sempre é possível identificar o alimento causador das crises através deles. Nestes casos, o paciente pode ser encaminhado para um nutricionista, que vai acompanhar detalhadamente a rotina daquela pessoa.

“A gente pede para o paciente ou responsável fazer um diário de todos os alimentos e sintomas por pelo menos duas semanas. Ali, ele anota que tomou um copo de leite às 7h, comeu uma maçã às 8h, às 9h teve uma coceira na pele e assim por diante”, descreve a professora de Nutrição da Universidade do Sagrado Coração (USC) Rita Cristina Chaim.

Segundo ela, a partir deste diário, o profissional programa dietas de eliminação. “Você escolhe, por exemplo, a maçã. O paciente fica sem comer maçã por alguns dias e nós observamos se os sintomas desaparecem. Então, ele volta a comer maçã e observamos as reações”, explica.

Esse processo é feito com cada um dos alimentos de que o profissional desconfia, até que seja identificado o agente alergênico. Isso pode levar semanas ou mesmo meses e muitas vezes não se consegue determinar com certeza qual é o agente.

Quando ele é descoberto, tenta-se a dessensibilização, com porções ultra-reduzidas do produto. O objetivo desse tratamento é fazer com que o organismo se “acostume” com a substância invasora. O sistema imunológico continuará em estado de alerta, mas sem as crises ou, pelo menos, com reações atenuadas.

Mas se o tratamento não eliminar as crises, é preciso elaborar uma dieta especial de modo a suprir carências nutricionais. “Se a criança não pode tomar leite, ela precisa ingerir carne para repor as proteínas e determinadas verduras para repor o cálcio”, exemplifica.

“Quando a alergia é persistente, nós ensinamos o paciente a ler o rótulo dos produtos. Porque ele pode deixar de ingerir aquele produto, mas também precisa saber identificá-lo quando ele estiver embutido em outro alimento como ingrediente, como acontece no caso do leite em alguns bolos”, encerra Chaim.

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