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Pan-Americano - Após o ouro, Murilo tem novo desafio

Da Redação
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O pivô da Seleção Brasileira de basquete masculino, Murilo Becker, medalha de ouro nos XIV Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo, disputado na República Dominicana, esteve em Bauru neste último final de semna para encontrar sua noiva e rever alguns amigos na cidade.

O atleta, que jogou na equipe do Bauru Basquete por mais de dois anos está de malas prontas para o Rio de Janeiro, onde a Seleção Brasileira vai treinar por uma semana antes do embarque para o grande desafio, depois da conquista do Pan. A seleção disputa a partir do próximo dia 20 de agosto o Pré-Olímpico, em Porto Rico.

Murilo, 20 anos, é gaúcho e começou a jogar basquete aos 11 anos, por influência do seu irmão, que foi jogador de basquete na década de 90. O pivô contou numa entrevista exclusiva ao Jornal da Cidade, a emoção da conquista do Pan e a expectativa da sua convocação para a disputa do Pré-Olímpico.

Jornal da Cidade- Qual a emoção pela conquista da medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos? Murilo Becker - Para mim foi maravilhoso, uma sensação que só quem passa pode descrever. Foi também uma conquista muito importante, já que eu fui convocado para a seleção para ganhar experiência.

JC - Essa experiência a qual você se refere começou na sua convocação para o Sul-Americano, antes do Pan? Murilo - Começou sim, principalmente com o meu trabalho nos três amistosos contra a Venezuela, onde eu fui muito bem. O técnico da seleção, Lula Ferreira, me disse que o Anderson Varejão (pivô da equipe e que joga na Espanha) seria o titular no Uruguai, mas como eu fui muito bem nos amistosos ele me convocou para integrar o grupo que iria para Montevidéu.

JC- Após a conquista do Sul-Americano, com uma campanha excelente de seis vitórias, como veio a sua convocação para o Pan? Murilo- Minha convocação aconteceu porque o treinador achou que o outro pivô da equipe, o Tiagão, não teve uma boa participação no Sul-Americano e eu fui convocado para a disputa no lugar dele nos Jogos Pan-Americanos.

JC - Na sua opinião, existiu uma evolução da equipe que disputou o Sul-Americano para o Pan? A comissão técnica, formada pelo Lula, Guerrinha e o Flávio é a responsável? Murilo – Sem dúvida o papel da comissão técnica foi fundamental nessas duas conquistas, haja visto que o Lula chegou agora e teve a coragem de renovar a seleção. Ele sofreu críticas injustas e os que criticaram deverão reconhecer e aplaudir as nossas conquistas.

JC - E a chegada da seleção ao Pan, em Santo Domingo, como foi? Murilo - Nós chegamos bastante confiantes e com o pensamento de jogar jogo a jogo, sem pensar na final ou nos Estados Unidos, até então o grande favorito ao título dos jogos.

JC - Como foi a estréia do Brasil contra o Canadá no Pan? Murilo - Foi uma partida muito difícil, além de ser a estréia da equipe, os canadenses têm um time muito forte, mas no decorrer do jogo nós nos estabilizamos e começamos a mostrar como estávamos preparados para a conquista do título.

JC - Depois da vitória na estréia e dos três jogos seguintes também com vitória, a semifinal, contra os EUA, foi a final antecipada do Pan? Murilo - Realmente foi o jogo mais difícil, eu até conversei com os jogadores após a partida que o time americano é muito forte fisicamente, foi um jogo diferente do estilo do Brasil. Eu acho que esse time dos Estados Unidos, que foi para o Pan, não tinha a malícia do Dream Team (time dos sonhos, como é conhecida a equipe americana principal). Mas são jogadores, que você pode ter certeza, daqui um ou dois anos vão estar jogando nos times de ponta da NBA.

JC - Na sua opinião, qual foi a grande virtude do Brasil nessa vitória sobre os Estados Unidos? Murilo - Eu acho que a nossa vontade e principalmente o preparo físico que nós atingimos, já que na minha opinião nós corremos igual ou mais que os americanos.

JC - E a final contra a República Dominicana? Foi mais fácil que a semifinal contra os EUA? Murilo - Foi mais fácil, tendo em vista que a República Dominicana tem um time que marca menos e com um preparo físico bem inferior ao nosso e dos americanos.

JC - Na final a pressão da torcida local, por serem os donos da casa, influenciou antes e durante o jogo? Murilo - A prova que isso não ocorreu foi a diferença no placar que nós abrimos de 23 a 2, isso é bem difícil de acontecer em se tratando de uma final de Pan. Outro fator é que em todos os primeiros quartos dos jogos anteriores da final nossa equipe não jogava bem. E na final nós jogamos bem os três primeiros quartos, além da equipe adversária ter demonstrado um grande nervosismo.

JC - Em nenhum momento da final você achou que os dominicanos poderiam encostar ou até virar o placar? Murilo - Sinceramente, depois da vitória na semifinal e do nosso começo arrasador na final, eu tinha certeza que a medalha de ouro seria do Brasil.

JC - O basquete hoje em dia é mais equilibrado? Os Estados Unidos a grande potência do basquete mundial, já não assusta como antes? Murilo - Francamente, hoje não é mais como antes, os americanos são fortes fisicamente, mas o basquete brasileiro tem ainda uma malícia, assim como no futebol, que eu estou cada vez mais certo que é uma característica própria dos brasileiros.

JC - Basicamente o que mudou do basquete das décadas de 80 e 90 para essa agora em que você faz parte? Murilo - Eu acho que esse grupo, que está agora tem tudo para colocar o Brasil num patamar bastante competitivo no cenário mundial. Nós evoluímos não só na parte física, mas também na técnica e tática.

JC - Mudando um pouco, como era a rotina da seleção na Vila Olímpica durante o Pan? Conte alguma passagem interessante? Murilo - Apesar do nosso horário rígido, o mais legal era na hora do café da manhã, num pavilhão muito grande, onde os jogadores como o Maurício e o Giba da Seleção Masculina de vôlei, diziam “boa sorte, vão para cima dos americanos, que vocês vão conseguir a vitória”. Isso nos dava força e uma vontade imensa de ganhar dos caras.

JC - E na final, tinham atletas brasileiros assistindo a partida? Murilo - Tinha o pessoal do vôlei e esgrima depois do término da final vários atletas invadiram a quadra para festejar e dar os parabéns para gente.

JC - O que você tirou de mais importante desta conquista? Murilo- Eu acho que ter força de vontade e garra em nossa vida faz com que você alcance cada vez mais seus objetivos.

JC - O que você achou do fim da equipe do Bauru Basquete? Murilo - Triste, já que foi uma equipe que fez parte da minha vida, assim como a cidade de Bauru. Mas eu espero que aconteça uma revolução, que as empresas da cidade, o presidente Caio Coube e principalmente os bauruenses possam reverter essa situação num futuro próximo.

JC - Com relação ao seu futuro, você já acertou com algum clube? Murilo - Ainda não, mas eu estou estudando algumas propostas de clubes do Estado de São Paulo, pois pretendo disputar o Campeonato Paulista, que começa em setembro e na minha opinião é o melhor campeonato regional do País.

JC - E a NBA, você sonha em poder jogar lá, assim como seus amigos Nenê e Leandrinho? Murilo - Eu penso que sim, mas para o ano que vem. assim como o Leandrinho eu quero muito tentar o draft (seleção para a escolha de jogadores para integrar os times da NBA). Eu sei que é difícil, mas não impossível. Inclusive, eu até recebi propostas durante o Pan, de uma Universidade Americana e outra de um time do Uruguai, mas eu, assim como toda a equipe, estava focado totalmente para a conquista dos jogos.

JC - A partir de hoje a Seleção Brasileira e você ecomeçam os treinos no Rio de Janeiro visando exclusivamente a preparação para o Pré-Olímpico em Porto Rico? Murilo - Exatamente, vai ser muito difícil conquistar uma das três vagas, já que uma praticamente será dos Dream Team, que vão jogar com seus principais jogadores como o Kobe Bryant e Shaquille O‘ Neal. A Argentina, também disputará a competição com sua força máxima e é forte candidata para conseguir uma das vagas.

JC- Você está confiante na classificação do Brasil no Pré Olímpico, e também na sua convocação ? Murilo - Eu estou bastante confiante porque eu disputei um ótimo Pan e outro fator é a possibilidade do treinador usar cinco pivôs no Pré- Olímpico, onde minhas chances crescem bastante.

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