Cobras e aranhas de diferentes espécies sobrevivem nos mais curiosos ambientes no nosso planeta. Em perfeita harmonia com o meio, elas não seriam tão ameaçadoras se estivessem mais distantes. O que ocorre é que podem ser encontradas nos quintais, pastos, paióis ou mesmo dentro de casa. Agora, para o pescador, que vive embrenhando-se em matas, o risco de encontrar com uma cobra, aranha ou mesmo um escorpião é ainda maior. O que não é motivo para pânico, mas sim importante para informar-se sobre o assunto e prevenir-se.
Ao se falar em cobras, é possível dizer que a terra abriga mais de 2.500 espécies de serpentes, das quais 10% vivem no Brasil. Desse total, cerca de 70 espécies são peçonhentas, dividindo-se em dois grupos e quatro gêneros.
No Brasil, as espécies de cobras “famosas” como a cascavel, com seu guizo inconfundível; a coral, que deixa dúvidas entre a falsa e a verdadeira; a gigante sucuri, uma das mais encontradas pelos pescadores, porém pouco ameaçadora, apesar do tamanho; e a jararaca, responsável pelo maior número de acidentes com cobras no País.
Mas isso tem uma explicação. Seu nome na verdade é um genérico para designar um grande grupo de cobras venenosas, que têm como principal característica a cabeça em formato de lança/triangular. São mais de 30 espécies espalhadas, principalmente, pela América do Sul, das quais dois terços vivem no Brasil. Você já deve ter ouvido o nome de outras jararacas, como urutu, caiçara, cotiara, jararacuçu.
As serpentes peçonhentas brasileiras são divididas em: grupo Crotalíneos, que compreende gênero Bothrops (jararacas), gênero Crotalus (cascavéis) e gênero Lachesis (surucucus); e o segundo grupo que é constituído pelos Elapíneos (corais verdadeiras). Com características diferencidas, as cobras venenosas podem causar sérios acidentes e até mesmo levar à morte.
Aranhas
Apesar do susto e da repulsa que causa em muitas pessoas, um encontro com uma aranha não deve ser motivo de pânico. Nesses momentos o melhor a fazer é manter a calma e observar onde ela se esconde. Conhecer seus hábitos e indentificá-la pode colaborar muito em caso de acidentes.
Ao contrário do que muito pensam, as aranhas não são insetos e pertencem à classe do aracnídeos, como os escorpiões e carrapatos. Elas fazem parte do filo dos artrópodes, responsável por quase 90% dos animais que povoam o planeta. Os artrópodes são animais que têm em comum uma carapaça externa de quitina, formando uma espécie de esqueleto, e o corpo formado por partes segmentadas.
No caso das aranhas, as partes são o abdôme e o cefalotórax, a parte da frente, que carrega quatro pares de pernas, duas quelíceras (apêndices com ferrão na ponta) e dois pedipalpos (pequenos membros que nos machos se diferenciam em órgãos copuladores).
No mundo, há mais de 35 mil espécies de aranhas catalogadas, a grande maioria não tem mais de dois centímetros. Confira as espécies mais conhecidas no Brasil, talvez pelo perigo que representam.
Armadeira é a mais agressiva. Ao sentir-se ameaçada, encolhe dois pares de pernas traseiras como molas, ergue as patas dianteiras e fica em posição preparada para o ataque. Sua picada causa dor violenta, queda de pressão, vômitos, tontura, suores. Perigo de vida a crianças com menos de 12 anos.
Aranha-marrom é pequena (3 a 4cm) e tímida. Vive em teias irregulares em lugares escuros como garagens e paióis. Convive com o homem sem incomodá-lo, mas não gosta de ser ameaçada. Sua picada não é muito dolorida, mas seu veneno é um dos mais ativos em seres humanos, podendo causar a morte de uma criança e até de um adulto.
Caranguejeira impressiona pelo tamanho, chegando a até 30cm. Para se ter uma idéia, algumas são capazes de caçar e devorar pequenos camundongos. Sua picada causa dor, mas não há registros de mortes.
____________________
Para evitar acidentes
• Usar botas de cano alto ou de perneiras de couro com botinas pode evitar até 80% dos acidentes com cobras, que em sua maioria dão botes de até um terço do tamanho do seu corpo;
• Ao remexer em buracos, folhas secas, vãos de pedras, ocos de troncos e em caminhadas pelos campos, utilize-se de um graveto ou pedaço de pau para ajuda a evitar acidentes;
• Antes de entrar em matas é necessário parar um pouco, deixar a visão acostumar à penumbra, o que permite enxergar melhor as possíveis ameaças de cobras e aranhas;
• Cobras e aranhas usam do mimetismo para confundirem-se com o ambiente;
• É fundamental fazer a limpeza das áreas ao redor da casa, paiol ou plantações, eliminando montes de entulho, acúmulo de lixo, folhagens altas e fechadas. Não deixar alimentos espalhados no ambiente, para evitar a aproximação de ratos. Rato atrai cobras;
• Buracos de portas, janelas e muros devem ser tapados. Nas soleiras das portas é necessário colocar uma tábua para vedá-las e nas janelas colocar telas;
• Nunca segure uma cobra com as mãos, pois mesmo morta a serpente tem veneno;
• Capturar cobras exige treinamento. Não se aventure inutilmente;
• Antes de calçar sapatos, chinelos, botas, lembre-se de examiná-los bem. Os animais peçonhentos podem refugiar-se dentro deles;
• No mato, mantenha as portas dos carros fechadas;
• Antes de se instalar, lembre-se de inspecionar o local, evitando acampar junto a plantações, pastos ou matos sujos. Não encostar em barranco antes de examiná-lo com cuidado;
• Previna-se à noite, pois é a hora preferida de grande número de animais peçonhentos;
• É importante também estar atento às mudanças de hábitos dos animais, em épocas de chuvas com inundações ou por ocasião de desmatamentos e queimadas. Nesses períodos, tanto as cobras, quantos outros animais, fogem para lugares mais seguros e podem buscar a proteção em casas, paiós e celeiros. É bom redobrar os cuidados pois há um desequilíbrio biológico;
• Saiba que os acidentes com cobras podem ocorrer dentro da água. A água não elimina a potência do veneno. Antes de entrar ou tomar banho em rios e lagoas, é preciso observar primeiro o local e o lugar onde pisa.
Fonte: www.tfw.com.br