Auto Mercado

Editorial

Da Redação
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O martírio da indústria automotiva continua. A direção da Fiat decidiu conceder mais um período de férias coletivas aos funcionários da sua fábrica em Betim, região metropolitana de Belo Horizonte. A partir de segunda-feira, 800 empregados da unidade entrarão em férias, que terá duração mínima de dez dias e máxima de 20.

A medida tem por objetivo adequar o ritmo de produção da montadora à retração do mercado nacional. É a terceira vez neste ano que a Fiat toma tal medida.

As vendas na montadora recuaram 14,4% no primeiro semestre, em comparação com o mesmo período do ano passado. A queda foi maior do que a média registrada pelo setor no País, que teve redução nas vendas de 8,7%.

Com o novo recesso, a Fiat deixará de produzir 300 carros por dia. Este mês, a previsão é de que 1,5 mil carros deixem de ser montados. Em setembro, esse número deve ficar entre 2 mil e 2,5 mil. Atualmente, a produção média mensal da empresa é de 32 mil veículos.

Além de duas paradas técnicas realizadas no mês passado, a montadora concedeu dez dias de férias a 500 trabalhadores em junho e dez em julho para 1.000 funcionários da área de produção da fábrica de Betim.

Enquanto isso, a Volkswagen do Brasil decidiu suspender o efeito das cartas de transferência de 3.933 funcionários das fábricas de São Bernardo do Campo e de Taubaté para uma nova unidade do grupo, a Autovisão.

A empresa foi criada para buscar novas atividades para esse grupo de trabalhadores, considerado excedente pela montadora. Com o anúncio da medida, os sindicatos dos metalúrgicos das duas cidades aceitaram discutir o projeto, que receberá investimentos de R$ 300 milhões. A empresa se comprometeu a não efetivar mudanças enquanto as negociações estiverem em andamento.

A Volks anunciou, no dia 20 de julho, estar operando com um excedente de 2.010 funcionários na fábrica de Taubaté e 1.923 em São Bernardo, o equivalente a 16% do seu efetivo no País.

Como tem acordos de estabilidade com os sindicatos, até fevereiro de 2004 em Taubaté e até novembro de 2006 no ABC, propôs a criação da Autovisão com o objetivo de buscar novas atividades para esse pessoal e apoiar projetos de novas empresas. Dez dias depois enviou cartas a trabalhadores de diversos setores informando da transferência a partir de 1.º de setembro.

A medida foi considerada quebra de acordo por parte dos sindicatos que, na ocasião, defendiam adesão voluntária ao programa. Desde então, os trabalhadores vinham realizando protestos diários nas duas fábricas, com paralisações parciais da produção. Para negociar o projeto - adotado pela Volks na Alemanha em 1997 - os sindicalistas exigiam a suspensão das cartas.

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