Uma mulher que ameaçava cometer o suicídio dentro de seu apartamento atraiu uma multidão de curiosos no Centro de Bauru ontem à tarde. Com a intervenção da Polícia Militar (PM) e do Corpo de Bombeiros, que negociaram com ela por mais de quatro horas, ninguém ficou ferido.
Por volta das 13h30, a PM foi chamada por vizinhos da mulher de 37 anos, que ameaçava se matar com uma faca, trancada em seu apartamento. O nome dela será preservado para evitar constrangimentos. Ela mora com o filho de 14 anos num edifício na esquina das ruas Cussy Júnior e Virgílio Malta.
A hipótese inicial era de que ela pretendia se jogar da janela do apartamento, no oitavo andar, mas a PM constatou que todas as janelas tinham grades e não havia sacada.
O capitão Benedito Roberto Meira, comandante da 1.ª Companhia da PM, coordenou toda a negociação com a mulher, e conta que não foi possível entrar ou arrombar a porta. “Além da porta principal do apartamento, havia uma grade de ferro. Ela parece ser uma pessoa perturbada, pensava que havia pessoas interessadas em seqüestrar o filho e ela mesma”, relata. Os negociadores tentaram convencê-la a abrir a porta, sem sucesso.
Seguindo a orientação dos policiais e dos bombeiros, o garoto trancou-se no banheiro para evitar qualquer problema. Mas o capitão Meira enfatiza que, em nenhum momento, ele teve sua vida ameaçada pela mãe. “Em momento algum ela atentou contra a vida do filho”, declara.
Diversos vizinhos comentaram que a dona de casa estava perturbada com a descoberta de que seu marido, que vive no Japão, estaria namorando outra mulher. “Segundo consta, ela rompeu o relacionamento com o marido que mora no Japão e está passando por dificuldades financeiras também”, declarou o capitão Meira.
Ele conta que, durante toda a negociação, a mulher se mostrou desequilibrada. “Ela ficava o tempo todo tentando chamar a atenção, ameaçava a própria vida com uma faca no pescoço. Com o auxílio de uma psicóloga e a chegada de pessoas próximas da família, ela foi se acalmando”, relata o capitão.
Enquanto os policiais e a psicóloga distraíam a atenção da mulher pela janela de um apartamento vizinho, uma equipe do Corpo de Bombeiros conseguiu soltar a grade de outra janela e, no momento oportuno, por volta das 18h, entraram no apartamento. “O objetivo da PM e dos Bombeiros é preservar vidas. Não poderíamos tomar qualquer atitude porque (a mulher) poderia colocar em risco sua vida e a do filho”, explicou o comandante da PM.
Os policiais notaram que a mulher havia quebrado diversos objetos da casa, entre eles a TV, móveis e eletrodomésticos da cozinha. Depois de acalmá-la, os bombeiros decidiram, juntamente com os amigos e a família, encaminhá-la para o médico com quem ela vem fazendo acompanhamento psicológico. Porém, quando a mulher chegou à calçada em frente ao edifício, a multidão de curiosos fez com que perdesse o controle novamente. “É uma armadilha. Eu quero falar com a imprensa! Eles estão me seqüestrando!”, gritava. A mulher, juntamente com seu filho e uma amiga, foi levada pela Unidade de Resgate dos Bombeiros para o consultório de seu médico. O capitão Meira reiterou que em momento algum ela cometeu qualquer crime, e por isso não seria autuada.