Polícia

Falta de energia elétrica vira caso de polícia

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 4 min

A falta de energia elétrica no Sítios Reunidos Santa Maria provocou desavenças entre os moradores das chácaras e funcionários da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), anteontem à noite. A Polícia Militar foi acionada e registrou um boletim de ocorrência sobre o desentendimento.

Os proprietários dos terrenos, que ficaram 11 horas no escuro e amargaram prejuízos, impediram uma viatura da empresa de deixar o local, enquanto acusavam a CPFL pelo furto de uma chave de energia responsável pelo restabelecimento da distribuição elétrica nas propriedades.

De acordo com Nelson Aquiles Afonso Quagliato, residente do local e secretário da Associação dos Proprietários e Amigos dos Sítios Reunidos Santa Maria, o problema teve início por volta das 12h30, na rede privada. Ele informa que a associação investiu numa rede particular porque a CPFL se negou a fazê-la. Ressalta ainda que a entidade cumpriu as exigências técnicas e de segurança feitas pela CPFL.

“Como faltou energia, acionamos a empresa privada que nos presta assistência, mas como ela demorou, um morador e ex-funcionário da CPFL iniciou alguns testes para tentar identificar o problema”, explica.

Segundo ele, para que a deficiência fosse diagnosticada, era necessário ligar e desligar o sistema, procedimento que desarmava a rede em bairros adjacentes.

“Quando a questão foi resolvida pela empresa que contratamos, que chegou por volta das 18h, não tínhamos como iniciar a distribuição de energia porque funcionários da CPFL haviam levado a chave da nossa rede, que é privada. Por volta das 21h, uma outra viatura da CPFL passou por lá e impedimos sua saída até que a chave fosse devolvida”, conta Nelson.

Polícia

Com o impasse, as duas partes acionaram a PM: a CPFL para tentar liberar o carro da distribuidora e os moradores alegando furto por parte da empresa. Mas somente quando dois gerentes da empresa de energia chegaram é que a situação foi resolvida.

“Eles (os gerentes e funcionários) foram muito solícitos e deslocaram uma viatura até o religador (responsável pelo abastecimento das chácaras e de outros bairros) enquanto fazíamos os testes com a chave de energia. Iniciativa que deveria ter sido adotada desde o início”, cobra.

Para o engenheiro líder de serviços de campo da região de Bauru da CPFL, Luiz Antonio Tesser, a situação realmente poderia ter sido evitada se o morador Clementino Aparecido Lopes – o ex-funcionário da CPFL – tivesse cumprido o acordado.

“Pedimos que ele entrasse em contato conosco pelo 0800 assim que a empresa particular chegasse para idenficar a razão do desabastecimento de energia nas chácaras, assim faríamos o acompanhamento. Mas os testes foram feitos à revelia e derrubavam a rede em regiões próximas”, ressalta.

Complexo Penitenciário

Além de bairros como Gabiroba e Preto, faltou energia no Complexo Penitenciário de Bauru, o que ameaçava a segurança do local. Numa das vezes, o abastecimento de energia na região próxima ao bairro foi suspenso por quase uma hora.

“Fomos até o religador que abastece os bairros, inclusive as chácaras, três vezes. Então, decidimos levar a chave para forçar a nossa presença durante os testes. Essa iniciativa não é de praxe”, garante Tesser.

A informação foi confirmada pelos moradores, que negaram a orientação que teria sido prestada ao morador e ex-funcionário da CPFL. “A empresa que presta assistência privada identificou o problema num dos pára-raios (equipamento de segurança do transformador da rede particular). O problema não foi só deles, foi nosso também”, enfatiza.

No total, 182 moradores sofreram com a interrupção de energia em toda a região, incluindo os sítios. Embora o problema tenha sido resolvido, o boletim de ocorrência da PM foi registrado e será encaminhado ao 2º Distrito Policial (DP). Até ontem à tarde, o registro ainda não havia sido feito na Polícia Civil.

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Prejuízo

A Associação dos Proprietários e Amigos dos Sítios Reunidos Santa Maria ainda não contabilizou os prejuízos decorrentes da falta de energia, mas garante que não são pequenos.

De acordo com Durval Amaral, que é primeiro tesoureiro da entidade, um dos produtores perdeu uma ninhada de pintinhos por falta de aquecimento.

“Fizemos um levantamento e identificamos pelo menos 50 crianças com menos de 4 anos morando nas chácaras. Imagine o transtorno”, avalia Amaral.

Segundo ele, as casas de lá são abastecidas com água através de poços que dependem de energia elétrica. Transtornos financeiros também atingiram os estabelecimentos comerciais instalados nos sítios.

Ele, assim como o morador Nelson Quagliato, critica a privatização da CPFL, alegando que ela resultou na queda da qualidade dos serviços prestados. “O País chegou ao fim. Vendemos a galinha dos ovos de ouro”, desabafa Quagliato.

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