Economia & Negócios

Sobra trabalho para setor do 'faz-tudo'

Gabriel Garcia
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo em meio à recessão econômica, há no Brasil um setor em que “crise” é uma palavra que não existe, pelo menos no que diz respeito à demanda e à receita. O prestador de serviço - aquele popular “faz-tudo” - está sempre com o celular tocando. São clientes com a calha de casa entupida, a caixa d’água suja, a máquina de lavar enguiçada, a grama do jardim precisando de corte ou mesmo uma calça com a barra comprida demais.

Livres de despesas com aluguel de salão, carga pesada de impostos, Fundo de Garantia dos funcionários, os “paus para toda obra” estão driblando a concorrência com preços mais acessíveis e flexibilidade de agenda, de prazos e de funções. O resultado é muito trabalho.

“Se for ver, eu tenho trabalho de segunda-feira a segunda-feira, inclusive domingo, feriado. Eu não tenho do que reclamar, graças a Deus”, afirma Adelino Caldador Mansano, 40 anos, que há seis anos trocou um emprego com carteira assinada numa firma pelo emprego “sem patrão”. “O salário de firma é muito baixo. Esses serviços de reforma, acabamento, a gente acaba tirando muito mais”, diz.

Segundo Mansano, o trabalho com serviços gerais rende até 50% a mais de renda ao final do mês do que no antigo emprego formal. Ele acredita que sua versatilidade é a responsável pelos bons resultados. “Faço pintura, parte de pedreiro, carpintaria, encamento geral, faço várias funções”, diz.

A experiência de Mansano veio do aprendizado na prática dos locais onde trabalhou, auxiliando os mais experientes em diversas funções. Hoje, conta, ele é capaz de executar todas as etapas de uma obra, incluindo trabalhos que exigem maior técnica, como assentamento de pisos. “Trabalho sozinho, mas quando é serviço grande eu pego um pessoal para dar uma mão e entregar no prazo”, afirma.

O lado não tão positivo é a falta de garantia de um salário ao final do mês. Como o volume de trabalho desses prestadores de serviço depende do poder aquisitivo de quem os contrata, uma época de arrocho mais grave pode atrapalhar os negócios. O mesmo vale para meses muito chuvosos. “A renda varia muito de mês a mês”, declara Mansano.

Chave na mão

Por vezes, o negócio de serviços gerais se expande de tal modo que o trabalhador começa a contratar funcionários e se tornar “patrão”. É o caso de Elias Janeiro, 36 anos, que de servente de pedreiro se tornou pedreiro e agora é construtor. “Você me mostra o terreno e eu te dou a chave da casa”, diz.

Janeiro e sua equipe fazem de tudo, inclusive a parte elétrica e todas as instalações hidráulicas. Ele afirma que, se houver espaço na agenda, não há trabalho que seja recusado. “Mexer com tanquinho, arrumar uma máquina de lavar, regular um fogão, tudo isso a gente faz também”, declara. E completa: “Tudo o que precisar ser feito numa residência ou num estabelecimento, a gente faz.”

Atualmente, Janeiro trabalha com oito funcionários, mas o número chega até a 15 dependendo do volume e da complexidade do serviço. Há 18 anos nessa vida de “faz-tudo”, ele afirma que hoje ganha o dobro do que ganharia se tivesse continuado no antigo emprego na Secretaria Estadual de Abastecimento.

____________________

Leia mais sobre este assunto

• Clientela expande com as indicações

Comentários

Comentários