Política

PSTU discute novo partido em Bauru

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 3 min

O presidente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, esteve ontem em Bauru participando de um debate sobre a reorganização política e a luta contra as reformas propostas pelo governo federal. Durante o evento, realizado na Universidade Estadual Paulista (Unesp), ele apresentou o projeto de criação de um novo partido de esquerda, que possa agrupar os atuais militantes e os dissidentes de outras legendas.

“Nos próximos anos, vamos caminhar para uma retomada das lutas sociais e é preciso construir um instrumento político que possa preparar conscientemente esse processo e levá-lo até a realização das transformações, de maneira que o povo possa ter uma vida digna”, opina José Maria, candidato a presidente pelo PSTU nas últimas eleições.

Segundo ele, não há, atualmente, nenhuma organização que possa cumprir esse papel. “O PT foi, nos últimos anos, o partido de esquerda amplamente hegemônico na vida brasileira, mas, pelas opções que fez, não tem a menor possibilidade de ser esse instrumento político. A construção de um novo partido que agrupe a esquerda socialista brasileira vem como uma exigência desse contexto”, diz.

Almeida explica quem seriam os componentes dessa nova frente de esquerda. “Ela somaria nossas forças com aqueles que estão rompendo com o PT e o PC do B, os parlamentares que estão sendo perseguidos e outros dirigentes e militantes que estão sem opção partidária”, revela.

Ele afirma que o novo partido nasceria com dois objetivos principais. “O primeiro é que tenhamos um espaço que permita unir as nossas lutas, para que possamos construir uma militância nova. O segundo é constituir um espaço para discutir profundamente e democraticamente qual será o programa desse partido”, afirma.

Prazos

A proposta de uma frente de esquerda foi lançada durante a greve do funcionalismo público contra a reforma da Previdência, quando foi apresentado um documento batizado de Manifesto por um Novo Partido. Um dos idealizadores do movimento foi o vice-presidente da Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes), José Domingues Filho, que também esteve em Bauru.

Segundo ele, não há um prazo previsto para que o novo partido possa entrar em funcionamento. “O objetivo é construir algo mais sólido. Isso tem de ser feito com calma, e não com a finalidade de se ganhar postos eleitorais. Queremos parlamentares compromissado com questões de fato, e não com o cargo”, afirma.

O presidente do PSTU concorda. “Não queremos atropelar o processo de discussão, que para nós é essencial, por causa do calendário eleitoral. Estamos dispostos a ceder a legenda para quem quiser ser candidato pelo partido dentro desse projeto. A nossa disposição é transformar a nossa campanha eleitoral em uma campanha para a construção de um novo partido”, declara.

José Maria de Almeida conta que a agenda de discussões prevê um debate sobre o assunto, no dia 11 de outubro, no Rio de Janeiro. “Iniciaremos o processo de discussão sobre os temas centrais que serão colocados. A partir daí, faremos outros encontros e, depois, pensaremos no nome do partido e no processo de legalização”, conta.

O evento realizado em Bauru discutiu também as reformas encaminhadas pelo governo federal ao Congresso Nacional. “Nós não somos contra as reformas em si, e sim contra essas reformas que foram propostas e estão ficando cada vez mais complicadas. A reforma da Previdência, por exemplo, começou totalmente errada, seguindo a mesma lógica do governo anterior”, opina José Domingues Filho.

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