De maneira geral, a preocupação dos brasileiros com a aposentadoria nunca foi prioridade. Contudo, dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram mudanças. De janeiro a julho deste ano houve um crescimento de 39% na procura por planos de Previdência Privada na comparação com igual período de 2002. A média de idade dos que começam a contribuir também mudou: caiu para 32 anos. Antes, a maioria começava após os 40 anos.
“A procura por planos privados vem aumentando há bastante tempo, mas após as discussões sobre a reforma da Previdência Social percebe-se uma aceleração ainda maior. As pessoas começaram a ficar com medo de serem prejudicadas com as mudanças e muitas resolveram buscar um complemento para ter um futuro mais tranqüilo”, observa Márcio Batistuti, superintendente de uma companhia especializada no ramo com filial em Bauru.
De acordo com ele, os dados da Susep mostram que, nos primeiros sete meses deste ano, o volume de dinheiro captado pelas empresas seguradoras chegou a R$ 4,302 bilhões, contra R$ 3,095 bilhões no mesmo período de 2002. Em 1994, o valor comercializado pelo setor não chegava a R$ 1 bilhão.
Em resumo, a Previdência Privada é um sistema acumulador de recursos que garantam uma renda mensal no futuro. Existem dois tipos: fechado e aberto. O primeiro é destinado a profissionais ligados a empresas, sindicatos ou entidades de classe. O segundo é oferecido por seguradoras e bancos. Quanto mais cedo se começa a contribuir, menor pode ser o valor do depósito mensal.
Batistuti afirma que a maioria das pessoas que estão aderindo a planos de Previdência Privada têm entre 30 e 35 anos de idade. “Geralmente é nessa época que a pessoa começa a ascender na carreira profissional, melhora sua renda e vê que é perfeitamente possível separar um valor mensal para melhorar sua aposentadoria”, observa.
"Segurança"
O veterinário Paulo Zanardi, 29 anos, diz que há cerca de dois anos foi incentivado por um amigo a fazer um plano de Previdência Privada. Segundo ele, que também recolhe pelo INSS, decidiu investir num plano complementar para ter mais segurança financeira ao se aposentar.
“No plano que fiz, o cálculo é para eu me aposentar com 70 anos. Pela estimativa da seguradora, se eu continuar contribuindo sempre com o mesmo valor de agora eu poderei ganhar cerca de R$ 2,4 mil mensais quando me aposentar”, conta.
O empresário Marcos Henrique Mazziero tem 36 anos e paga plano de Previdência desde os 34. Contribuindo com R$ 50,00 por mês, se ele mantiver sempre este valor e se aposentar aos 65 anos, terá uma renda de aposentadoria de R$ 900,00. “Não sinto segurança na Previdência Social. Por isso, decidi complementar minha aposentadoria.”
Para Marco Antônio da Silva Barros, diretor comercial de uma empresa - ligada a um banco - que administra planos privados, as discussões em torno da reforma previdenciária acabaram estimulando as pessoas a saber mais sobre a Previdência complementar.
“Os números de julho deste ano na nossa empresa mostram um crescimento de 34% nas vendas de planos em relação a julho de 2002. Isso significa que vendemos 277 mil novos planos. Existem produtos adequados aos mais diversos perfis e necessidades. Atualmente, o segmento que vem crescendo mais nas estatísticas do setor é o de jovens”, afirma Barros.
De acordo com ele, de todos os clientes da empresa (1,1 milhão), 4% são menores de 21 anos de idade. Na faixa de 21 a 30 anos, a participação no bolo é de 27%; de 31 a 40 anos, 31%; de 41 a 50 anos, participação de 11%.
“É importante ter consciência da importância de começar a formar uma reserva complementar para a aposentadoria. Quanto mais cedo a pessoa começar, melhores serão os resultados.”
Em todo País, atualmente existem 5,6 milhões de pessoas que pagam regularmente um plano individual de Previdência Privada, segundo a Susep.