O Ministério das Cidades e a Caixa Econômica Federal (CEF) pretendem reconduzir as Companhias de Habitação Popular (Cohabs) ao seu papel de agente executor de políticas públicas nas áreas de habitação e desenvolvimento urbano. Grosso modo, a reestruturação financeira e operacional das companhias visa à retomada de contruções de núcleos habitacionais, praticamente abandonadas desde o início da década passada.
“O Ministério das Cidades, entendendo que os recursos para a habitação vão ser aplicados através de uma empresa com equilíbrio financeiro e operacional, sabe, de fato, o que vai acontecer com aquele recurso”, diz o gerente de mercado Wanglei Taú, do Escritório de Negócios da Caixa em Bauru. O convênio entre o ministério, a Caixa e a Associação Brasileira de Cohabs (ABC) foi assinado na tarde de anteontem.
De acordo com Taú, o próximo passo é a divulgação de um conjunto de procedimentos para recuperar a saúde das companhias e retomar o investimento em habitação. “Essa reestruturação tem como vistas de que elas (Cohabs) voltem a atuar como agentes financeiros, efetivamente repassando recursos para a produção habitacional”, diz.
Segundo o gerente de mercado, o que se pretende fazer com as Cohabs (hoje são 45 em todo o País) é semelhante ao que foi feito na Cohab-Bauru, ou seja: enxugamento do quadro de funcionários e renegociação de dívidas.
No início do ano, uma negociação entre a CEF e a Cohab-Bauru reduziu o repasse mensal da companhia ao banco de R$ 1,9 milhão para R$ 1,1 milhão - valor que permanece com pouca alteração até hoje. Desde quando o ex-prefeito Nilson Costa (PTB) assumiu pela primeira vez, em 1998, cerca de 275 funcionários da companhia foram demitidos.
De acordo com Taú, um dos últimos núcleos habitacionais em que a Cohab atuou como agente financeiro foi o Leão 13, em 1997, um núcleo pequeno construído em regime de mutirão. Desde então - e como vinha fazendo a partir de 1991 - a Cohab-Bauru participou de conjuntos habitacionais novos apenas como “agente promotor”.
Para Taú, a atual estrutura da Cohab, hoje voltada para o recebimento de prestações, pode conquistar um fluxo de caixa positivo com a reestruturação, assumir riscos calculados e aumentar o leque de agentes financeiros envolvidos.
O prefeito Dudu Ranieri (PFL) afirma que ainda não estudou a situação da Cohab-Bauru, mas acredita que a retomada de obras de núcleos habitacionais é sempre bem-vinda para a cidade. “Se a Caixa fizer negócios direto com as empresas (de construção), bom. Se a Cohab fizer também, bom também”, declara.
O até ontem presidente da Cohab, Constante Mogioni, estava em Brasília e não foi localizado pela reportagem para comentar o assunto.
PAR
A CEF deve entregar em breve dois prédios em Bauru dentro do Programa de Arrendamento Residencial (PAR). Os residenciais Independência, no bairro de mesmo nome, e San Francisco, na Vila Giunta, já estão concluídos e contam com 176 e 162 unidades, respectivamente.
De acordo com Wanglei Taú, uma administradora está finalizando as entrevistas com os interessados. “Enquanto não tiver um número mínimo de pessoas aprovadas, eu não posso iniciar a ocupação”, diz. A taxa de arrendamento é de cerca de R$ 175,00 mensais por 15 anos, com opção de compra e reajuste anual pela TR. Cada unidade está avaliada ao redor de R$ 23 mil.