Há cerca de duas décadas, 30 anos era a marca do pênalti. Chegar a essa idade sem ter arrumado um companheiro(a) era sinal de que algo não estava bem com a pessoa (principalmente, para as mulheres).
Hoje, as coisas estão bem diferentes. Os adeptos do estilo “single” de viver são cada vez mais numerosos. Homens e mulheres estão driblando as cobranças da sociedade e provando que o ditado “antes só do que mal acompanhado” pode ser bem divertido.
A empresária Paula Cabreira, 32 anos, é um bom exemplo disso. Livre, desimpedida e cheia de vida, ela não está preocupada em encontrar logo um companheiro para completar a sua vida. Mas, também, diz que não está sozinha por opção. “Não é que eu escolhi ser solteira. Isso é um fato que eu procuro encarar numa boa, sem transformá-lo em um grande problema”, afirma.
Ela confessa que, às vezes, bate uma certa solidão, uma vontade de ter alguém para trocar carinho e para um bom bate-papo no fim do dia. Mas, como tem muitos amigos e mora perto da família, isso passa rapidinho. “Eu trabalho demais e não tenho muito tempo para ficar pensando nessas coisas”, salienta.
No caso da funcionária pública Marisa Romangnolli, 39 anos, o fato de morar sozinha e não ter compromisso com ninguém é uma escolha. Ela conhece o outro lado da moeda, por já ter morado com um namorado durante três anos, e prefere o seu estilo de vida atual. “Eu sou muito mais feliz assim, sem me prender a ninguém”, ressalta.
Marisa tem um filho de 17 anos, que atualmente está fazendo intercâmbio nos Estados Unidos. Livre, leve e solta, ela está curtindo bastante a vida. “A solidão não pesa para mim. Prefiro ficar assim, me sinto à vontade”, comenta.
O designer gráfico André Marcondes Pereira, 34 anos, costuma dizer que tem “alma de solteiro”. No entanto, ressalta que essa situação pode mudar a qualquer momento, desde que conheça alguém que valha a pena. “Nessa vida, nada é definitivo”, destaca.
Enquanto isso não acontece, ele aproveita para se divertir ao máximo. Como um bom leonino, gosta de estar sempre rodeado de pessoas bem-humoradas e interessantes. “Freqüento bares e boates, como o Jack e o Bangalô, mas se alguém me convida para ir a outro lugar, topo na hora. A não ser que esteja muito cansado”, destaca.
No time dos solteiros convictos, estão também aqueles que namoram, mas não pensam em se “amarrar”. Como a jornalista Maria Teresa Santiago Guedes, 26 anos. Ela diz que não pretende se casar no papel e até admite dividir o mesmo teto com outra pessoa, desde que isso não se caracterize como um compromisso social. “Se você realmente gosta de alguém, dá para curtir seu amor, namorar, sem ser obrigada a dar uma satisfação para a sociedade”, salienta.
A liberdade é a principal vantagem de ser solteira, de acordo com ela. “Decido o que tenho vontade de fazer, posso sair com os meus amigos sem ter hora para voltar, não dependo de ninguém para pagar as contas, enfim, mando na minha vida.”
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Diversão e consumo são prioridades
Badalar, conhecer gente nova, viajar, curtir bons programas - sozinho ou acompanhado dos amigos - são uma constante para os solteiros dessa geração. Eles não medem esforços para se divertir, mas também não se furtam de recusar um convite quando estão cansados ou sem vontade de sair. “Eu adoro passear, mas, se achar que devo ficar em casa naquela noite, não fico preocupada com isso”, diz a empresária Paula Cabreira.
Fazer programas sozinhos também não chega a ser um problema para essa moçada. “Quando estou a fim, vou para um barzinho, para um show, a qualquer lugar, sem depender de companhia”, afirma a funcionária pública Marisa Romangnolli.
Entre os seus programas preferidos, estão passeios a São Paulo, em busca de diversão. “Gosto muito de cinema e, quando dá, vou ao Espaço Unibanco, em São Paulo, assistir filmes diferentes, que dificilmente entrariam em cartaz em Bauru”, conta.
Esportista, Paula prefere fazer trilha, mergulho e praticar esportes radicais com a sua turma. Mas também aprecia um programa caseiro. “Freqüentemente, faço um jantar especial e reúno os amigos no meu apartamento”, explica.
A diversão para os “singles” está também no ato de comprar. Profissionalmente bem estabelecidos, sem compromisso com escola dos filhos e demais contas da vida dos casais, eles investem o que ganham em benefício próprio.
O designer gráfico André Marcondes Pereira, por exemplo, diz que é muito mão aberta. “Além das despesas básicas, como aluguel e contas de luz e telefone, ajudo meus pais, dou presente aos amigos, compro CDs, roupas, revistas e livros”, descreve.
Ele também adora viajar. “É um grande barato conhecer lugares, pessoas e culturas diferentes.”
André salienta que todos os lugares que visita o encantam de alguma maneira, mas que gostou muito de Ouro Preto, Manaus e Buenos Aires.
Público-alvo
Diante da disposição dessa turma para consumir, o mercado resolveu se adaptar e já apresenta soluções oportunas para conquistar essa fatia de consumidores.
Algumas empresas do ramo alimentício estão investindo em embalagens menores, apropriadas para quem mora sozinho.
Na área de turismo, há pacotes de viagem feitos sob medida para quem quer curtir a vida de solteiro (aí estão incluídos também os separados, divorciados e viúvos).
A Mundial Turismo, por exemplo, está oferecendo um pacote exclusivo para esse público. Trata-se de um final de semana (24 a 26 de outubro) no Aguativa Resort, que fica em Cornélio Procópio, no Paraná. O programa inclui festa, cuidados com o corpo (estética e ginástica), esportes e brincadeiras.
A diretora da empresa, Daisy Villas Boas Arone, explica que a idéia é proporcionar um final de semana de alto nível para quem só quer diversão. “Tem gente que está só e que gosta de viajar, mas não faz isso por falta de companhia”, destaca.
Na viagem, o objetivo será fazer amigos e aproveitar o final de semana, sem a obrigação de conhecer um pretendente ou algo parecido.
O ramo imobiliário é outro que está de olho nos singles. O presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), José Martinho Teixeira da Silva, diz que a cidade está bem servida de imóveis para esse tipo de morador. “Nos últimos anos, aumentou bastante o número de apartamentos e kitnetes destinados não só para estudantes, como também para quem vive só”, ressalta.
Ele destaca que esse tipo de cliente tem preferência por apartamentos de dois quartos, com um pouco mais de conforto e praticidade.