Saúde

Empresa viciada: Dependência afeta 34% dos trabalhadores no Brasil

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisa realizada por uma empresa mexicana mostra que cerca de 34% dos trabalhadores de corporações brasileiras sofrem com algum tipo de dependência química. O dado é considerado grave, considerando-se que tais substâncias aumentam consideravelmente os riscos de acidentes - sem contar as conseqüências produtivas, sociais, familiares e financeiras que todo vício acarreta.

Só para citar um exemplo, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 30% dos acidentes profissionais estão relacionados com a intoxicação química. Além disso, as dependências também causam faltas freqüentes, baixa produtividade, despesas médicas e danos ao patrimônio da empresa.

De acordo com a pesquisa, dentre as principais dependências detectadas em empresas estão o alcoolismo (68,7% dos casos), a maconha (6,9%), medicamentos calmantes benzodiazepínicos (3,3%), a cocaína (2,3%) e o ecstasy (1,5%). Cinco de cada 100 empregados entre 18 e 60 anos entrevistados declaram ter consumido entorpecentes alguma vez na vida.

Os dados são da mexicana PreMedi Test, parceira da InterFast - empresa paulista que está trazendo para o Brasil um programa para detecção e reabilitação de dependentes que promete diminuir em 98% o índice de adictos entre trabalhadores.

“Para se ter uma idéia, os Estados Unidos gastam US$ 100 bilhões anualmente com problemas relacionados às drogas, incluindo faltas, baixa produtividade, acidentes, indenizações, sinistros e invalidez. No Brasil, esse gasto é de US$ 48 bilhões. É um dinheiro que vai pelo ralo”, comenta o gerente comercial da InterFast, João Bosco Leite Gusmão.

Ele lembra que as chances de reabilitação dependem diretamente do estágio em que o problema é identificado. “Um usuário eventual tem uma possibilidade de recuperação de 90%. Para o dependente progressivo, a chance é de 60%. Mas para o dependente crônico, o índice de recuperação é de apenas 6%”, salienta.

Estatísticas do Ministério da Saúde reforçam a preocupação. Segundo o governo, mais de 10% das pessoas nos centros urbanos de todo o mundo fazem uso abusivo de álcool e outras drogas. E o vício começa cedo: 74% dos adolescentes brasileiros estudantes dos ensinos fundamental e médio já experimentaram bebidas alcoólicas. “Do álcool para as outras drogas é um pulo”, reforça Gusmão.

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