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Idosos aprendem a viver com qualidade

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 4 min

Cenas como idosos participando de bailes, atividades esportivas, palestras e aulas em universidades ou trocando idéias animadamente no meio das ruas estão se tornando cada dia mais comuns em Bauru. Também, pudera: de 1980 para 2000, o número de pessoas com 65 anos ou mais por grupos de 100 jovens passou de 16 para 20.

O índice, chamado de coeficiente de senilidade, é superior ao verificado no Estado de São Paulo e no Brasil e indica que a cidade caminha rapidamente para o envelhecimento, a exemplo do que ocorreu há décadas no continente europeu, referência mundial em qualidade de vida.

A conclusão é da pesquisa “Dados Demográficos, Econômicos e Sociais de Bauru”, realizado pelo Data-ITE (ligado à Instituição Toledo de Ensino) com base nos censos feitos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“A base formada por crianças e jovens está encolhendo, enquanto a de idosos está sendo ampliada”, aponta o economista Herman Vos, pesquisador do Data-ITE.

Além de mostrar o coeficiente de senilidade municipal, a pesquisa apontou os índices por bairros e regiões administrativas. Tal levantamento permitiu identificar que a maior parte das pessoas com mais de 65 anos se encontra na região central de Bauru, em torno das paróquias Santa Teresinha, Catedral e Aparecida.

Na região da Catedral, por exemplo, foi registrado o coeficiente de senilidade mais expressivo da cidade: 168 idosos por grupos de 100 jovens. Muitos deles, de acordo com a análise de dados de amostragem por domicílio do IBGE, vivem sozinhos. “Há prédios que são verdadeiras ‘Vilas Vicentinas’ verticais, tamanha a quantidade de idosos”, compara Vos, em referência ao mais tradicional asilo local.

No quadrilátero correspondente à região da paróquia Santa Teresinha, entre as avenidas Duque de Caxias e Rodrigues Alves, o coeficiente de senilidade é parecido e chega a 153. Já na região do Santuário Nossa Senhora Aparecida cai para 95, passando para 68 no Jardim Estoril.

No Núcleo Beija-Flor foi registrado um dos menores índices da cidade: 19. Ele só não é inferior ao das favelas, onde há apenas cinco idosos para cada grupo de 100 jovens. “Nesses espaços, as crianças representam 16% da população”, contrapõe Vos.

Diferentemente desses aglomerados urbanos, onde a infra-estrutura é precária em razão da renda reduzida e da marginalização, os idosos moradores da região central e da Zona Sul têm qualidade de vida.

“Em termos de serviços para idosos, Bauru é bastante privilegiada”, garante a psicóloga Gislaine Aude Fantini, coordenadora da Universidade Aberta da Terceira Idade, ligada à Universidade do Sagrado Coração (USC).

Fundada a dez anos, a Universidade Aberta da Terceira Idade é uma das várias atividades oferecidas em Bauru aos idosos e que compõem o contexto favorável para o envelhecimento saudável e despido de preconceitos.

“Há dez anos, a terceira idade era tratada de forma irônica. Hoje, as pessoas estão aceitando melhor o envelhecimento, houve avanços tecnológicos e a comunidade acadêmica está mais voltada ao tema”, sustenta Fantini.

O geriatra Luciano Camargo compartilha desta opinião. Para ele, o acesso maior à informação e o desenvolvimento dos tratamentos de saúde permitiram às pessoas se dar o direito de envelhecer com qualidade, adotando exercícios físicos e mudanças de hábitos.

“O estigma do idoso em cadeira de balanço fazendo tricô foi por água abaixo. Hoje, as pessoas têm condições de manter vida ativa, intelectualmente e socialmente, e a infra-estrutura médica e sociocultural encontrada em Bauru contribui para isso”, aponta Camargo.

Múltiplas atividades

Prestes a completar 65 anos, a dona de casa Catarina Malandrino pretende manter-se ativa na terceira idade. “A gente deve se esforçar para ter tempo para fazer tudo. Respeito os meus limites, mas faço tudo que está ao meu alcance”, afirma.

Para ela, as atividades múltiplas ajudam a manter a saúde em dia, garantem pique para cuidar dos netos e a afastam da saudade pela morte do marido, ocorrida há dois anos.

Por tudo isso e também pela fé é que Catarina participa ativamente das atividades do Santuário Nossa Senhora Aparecida. Já na Universidade Aberta à Terceira Idade, ligada à USC, foi em apoio a uma cunhada que estava em depressão. “Fui para fazer companhia e acabei pegando gosto. É muito bom”, recomenda a dona de casa, que neste semestre planeja se inscrever nas aulas de coral.

A agenda de Catarina inclui ainda as atenções à pizzaria da família e os cuidados com os filhos. “Procuro fazer tudo que posso e da melhor maneira possível, assim, consigo ter pique”, ensina.

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