Você já parou para pensar sobre a importância dos pneus para seu veículo? Mais do que a óbvia função de ser o meio através do qual um carro se move, eles suportam carga, asseguram eficiência nas frenagens, contribuem para o conforto ao rodar e desempenham papel fundamental na segurança.
Se ele é responsável por tudo isto, dedicar atenção especial ao equipamento é regra de todo bom motorista. Os cuidados são muitos, mas há sempre aqueles básicos, mas fundamentais, para garantir vida longa aos pneus.
Segundo o engenheiro mecânico Luiz Cremonezi, diretor da unidade bauruense do Centro Tecnológico Mecânico (Cetem), a primeira preocupação deve ser a calibragem. “Basta observar o manual do proprietário para verificar a pressão correta a ser utilizada”, explica.
Além de evitar o desgaste irregular da banda de rodagem do pneu, o nível adequado da pressão também contribui para diminuir o consumo de combustível. “Muitos têm costume de rodar com algumas libras abaixo da recomendada para aumentar a área de contato com o solo e melhorar a aderência. Só que isso, além de acelerar o desgaste nas laterais, tornará o veículo mais gastador, pois seu arrasto na pista será maior”, esclarece.
Cremonezi recomenda também atenção redobrada no momento da calibragem. O engenheiro enfatiza que nem sempre os equipamentos específicos para tal encontram-se funcionando devidamente. “Há aparelhos em mau estado de conservação, com borrachas ressecadas e quebradas e medidores desregulados. Por isso, vá a locais onde os calibradores estejam novos”, orienta.
O alinhamento da direção é outro cuidado essencial para os pneus. Cremonezi estima que cerca de 80% dos casos de desgaste irregular são provocados pelo desalinhamento direcional do veículo. “Ele deve ser realizado a cada 10 mil quilômetros ou após o automóvel ter encarado buracos muito agressivos, pois estes são capazes de desalinhar o sistema”, enfatiza o engenheiro.
Cremonezi sustenta que um “mito” sobre os pneus também colabora para afetar a segurança dinâmica do veículo: deixar aqueles em melhores condições nas rodas da frente. “Independentemente de ser tração traseira ou dianteira, é recomendável que estes permaneçam nas traseiras a fim de evitar eventuais explosões”, alerta.
O engenheiro acrescenta que as conseqüências de um estouro de pneu podem ser terríveis. “Se esta ocorrer nos dianteiros, é possível corrigir a trajetória do carro através da direção. Mas se for nos traseiros, não há como ter controle sobre o automóvel”, adverte. Por isso, Cremonezi é taxativo: “O ideal é que os quatro pneus, mais o estepe, estejam em ótimas condições para rodar.”
Efetuar o rodízio nos pneus também é fundamental para o motorista aproveitar toda vida útil do produto. O diretor do Cetem argumenta que os instalados na dianteira do veículo sempre terão tendência maior de desgaste.
“Em uma frenagem, há grande transferência de peso para a frente do carro, que exige esforço maior dos componentes existentes nesta parte. Por isso, trocar a posição dos pneus periodicamente garante desgaste uniforme entre eles”, afirma Cremonezi.
Outro aspecto importante na manutenção do equipamento é a limpeza da banda de rodagem. O engenheiro mecânico observa ser comum os sulcos existentes nos pneus acumularem detritos e pedras, que devem ser retirados com uma chave de fenda. “A borracha possui porosidades para aumentar a aderência que pode ficar comprometida se estiver suja”, diz.
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'Salada' de marcas
Atualmente, no mercado, há uma infinidade de modelos de pneus, voltados para os mais variados usos. Por conta disto, é comum encontrar veículos equipados com uma verdadeira “salada” de marcas, procedimento desaconselhável pelo engenheiro mecânico Luiz Cremonezi. “Eu nunca faria isso no meu carro”, destaca.
Ele justifica seu comentário argumentando que cada fabricante possui tecnologia e formas de construção específicas. “Por isso, mesmo que se obedeça a mesma largura e diâmetro, pneus multimarcas não é recomendável”, pondera.
Na hora da troca, complementa Cremonezi, o ideal é observar o produto recomendado pelo fabricante, informação contida nos manuais dos veículos. “Os automóveis foram submetidos a um batalhão de testes e não saem de fábrica com determinado modelo de pneu à toa”, afirma o engenheiro.