Somos a favor da unicidade sindical pelo fato de vê-la como forma efetiva de representação sindical, uma vez que, é através dela que manteremos a coesão da Organização Sindical e a força do trabalhador. Acreditamos que as reformas que estão sendo propostas devam permear, principalmente neste momento que caracterizamos como pós-neoliberalismo, a estirpação das formas de exploração criada pelo governo anterior, tais como: cooperativas e terceirizações que lesam os trabalhadores, dentre outros mecanismos que foram criados. Essas práticas precisam ser contidas, assim também como a legislação que facilita a fundação dos sindicatos de cartórios, não tendo esses preocupação alguma com os trabalhadores, mas sim sobrevivem das arrecadações e das contribuições compulsórias, revendo também o papel das delegacias e subdelegacias do trabalho.
Falar que nosso modelo é antigo e ultrapassado não procede. Historicamente, a convenção da OIT/87 da ONU foi idealizada no auge da Guerra Fria (EUA X URSS), com a finalidade de esvaziarem e enfraquecerem os sindicatos, tudo isso em nome da “caça aos comunistas” e, claro, para o bem do capitalismo selvagem na anulação e exploração do trabalhador das Nações Subdesenvolvidas, através das empresas multinacionais e agora das transnacionais.
Nos países europeus, onde ocorreu a assimilação da Convenção 87 na forma como é proposta, houve um esfacelamento dos sindicatos, criando inclusive, condições para que, em uma mesma empresa, tenha várias representações sindicais. As realidades dos países são diferentes. O que pode ser bom para os países do hemisfério norte, com certeza, não será para as nações subdesenvolvidas, pois a questão não pode ser tratada desagregadamente dos fatores histórico e educação.
Somos convictos de que os únicos beneficiados com a pluralidade sindical serão os patrões, ocorrendo a divisão das entidades, proporcionando assim, o ambiente satisfatório do poder econômico, isto sem contar que os países da América estão sendo pressionados a serem signatários da Alca, proporcionando ao capital estrangeiro, principalmente ao norte-americano um ambiente ainda mais favorável à especulação, exploração e enfraquecimento dos trabalhadores. Devemos levar em conta ainda, que grupos oportunistas ligados a correntes ideológicas irão insistir na fundação de sindicatos, por descontentamento ou revanchismo, o que, com certeza, contribuirão para o esfacelamento total dos sindicatos.
Portanto, companheiro, o verdadeiro sindicalismo de base e que ao longo do tempo construiu a relação capital/trabalho negociando acordos coletivos, mobilizando a categoria, fazendo greve quando preciso, não pode ser ameaçado.
O que nos ressalta é que o ex-companheiro sindicalista, hoje presidente, tenta, não sabemos com qual objetivo, privilegiar grupos e principalmente o internacional, a medida que apoia a pluralidade em detrimento da unicidade, o que aliás, o fez líder.
Por isso e por outras razões, somos contrários a pluralidade sindical.
José Aparecido Gimenes Gandara – presidente do Sindicato dos Empregados da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos de Bauru e Região - SINDECTEB/BRU