Localizada entre Bauru e Marília, Gália (60 quilômetros a Oeste de Bauru) já teve seus áureos tempos de progresso antes da década de 70, quando a seda passou por uma grave crise. A partir daí, o município começou a perder população. Muita gente que morava na cidade ou na zona rural, mas vivia da produção do produto, teve que procurar outra atividade. De lá para cá, o município, segundo a pesquisa Data-ITE, apresenta crescimento populacional negativo.
Quem chega na cidade percebe que o movimento de pessoas é pequeno e a população é, em sua maioria, formada por idosos, pessoas que moram lá há muitos anos e que não quiseram sair em busca de novas oportunidades. A população mais jovem é pequena e, em sua maioria, composta de estudantes.
Cristiane da Silva Esteves, 20 anos, e sua irmã Vanessa da Silva Esteves, 22 anos, por exemplo, são universitárias e não pretendem continuar vivendo em Gália depois que receberem o diploma. “Aqui não tem oportunidade de emprego”, admitem.
Estudante de educação física de Marília, Cristiane pretende fazer especialização em fisioterapia e depois procurar um grande centro para exercer a profissão. “Em Gália minhas chances são nulas”. Ela reclama da falta de lazer para os jovens. “No período noturno, Gália não tem opção de lazer. Quando quero me divertir, tenho que ir para Garça ou Marília.”
Sua irmã Vanessa concorda com a falta de lazer e diz que também pretende sair da cidade quando formada. “Eu estudo ciências contábeis e não vejo chances de trabalho. Vou para Marília quando me formar.”
Para o ex-vereador e hoje presidente do Hospital Irmandade Beneficência São José, Antônio Edson Volponi, a falta de emprego afugenta os jovens de Gália. “Éramos um município essencialmente agrícola, na década de 60. Com a crise do bicho-da-seda e do café, muita gente foi embora.”
Segundo ele, na década de 60 a cidade possuía 3 mil moradores e o campo, 20 mil. Hoje, a população rural é muito pequena. Da mesma opinião compartilha o prefeito da cidade, Ermano Piovesan. “Temos cerca de 8 mil habitantes, 12% estão na zona rural. Em 60, tínhamos 82% no campo.”
Naquela época, enfatiza Piovesan, o município contava com 800 ranchos de bicho-da-seda com produção máxima. “Atualmente, temos 50 ranchos.”
Para o presidente do hospital, a população da cidade vai embora por falta de emprego. “Temos poucas alternativas. Não temos universidades. Eles vão estudar fora daqui e quando se formam vão em busca do emprego.”
Alguns moradores de Gália, que saíram na década de 60, estão retornando, após a aposentadoria, confirma o prefeito. “Temos observado que alguns antigos moradores estão retornando de Santo André e São Paulo. Quando eles aposentam, querem sossego e voltam.”
Volponi acredita que duas alternativas poderiam melhorar a situação da cidade. “Se o governo incentivasse a agricultura ou se novas indústrias se instalassem aqui. A cidade é tranqüila no aspecto segurança. Os aluguéis são baratos e temos a mão-de-obra.”
Para o comerciante Zito Fadel, não faltam incentivos por parte da prefeitura para a instalação de novas indústrias. “Fiz parte de uma comissão municipal para incentivar a vinda de indústrias. O município dá todo o incentivo, mas não há empresas querendo se instalar.”
Políticas públicas
Na tentativa de conquistar oportunidade de empregos para a população, a prefeitura tem feito algumas investidas, comenta o prefeito. “O solo de Gália foi pesquisado por uma empresa para ver se servia para plantação de laranja. O que nos faltou foi água em abundância, porque a plantação exige 100% de irrigação.”
Para a plantação de cana, o solo é arenoso. “Os produtores estão optando pelo cultivo de melancia, feijão e agropecuária.”
Na opinião de Piovesan, a falta de barracões pode ser um obstáculo para a instalação de empresas. “Elas precisam de barracões e nós não temos recursos para construir”, reclama.