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Carta por Bauru


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Outro dia comentávamos aqui a ausência de Bauru na divulgação da grande mídia , sobre as cidades que mais têm se destacado como pólos de desenvolvimento dos diferentes segmentos de produção e serviços e agora nos vem a Fundação Seade com mais uma constatação do quanto estamos parados no tempo, quando se comparam os investimentos recebidos pelas cidades no primeiro semestre deste ano, em confronto com igual período do ano passado. Quando se vê o Estado como um todo crescendo 1,90% e Bauru caindo 66,52%, vejam que mais de 68% nos separam da média estadual , o que não nos permite nem usar um antigo ensinamento que indica ser sempre mais possível suportar a dor, quando vemos o lombo do vizinho sofrendo o mesmo. Muito pelo contrário, a partir de resultados obtidos por cidades menores como Marília (+ 60%), Presidente Prudente (+ 192%) e pela ligeiramente maior, Rio Preto, que cresceu 76%.

Que indicadores ainda faltariam para sacudir esta cidade, chamando aos brios as suas forças representativas e despertando as suas consciências críticas para que Bauru saia dessa criminosa letargia? Nenhum, certamente, o que torna inútil, agora, apenas lamentarmos a atual pobreza dos nossos quadros em nível de lideranças inspiradoras, aglutinadoras, carismáticas e somente chorarmos tudo de ruim que nos aconteceu, principalmente nos últimos anos - dois prefeitos cassados (um deles, ainda por cima, preso), além de cinco vereadores perdendo o mandato (três por cassação). Lamentar, chorar, tudo isso faz parte, mas de nada adiantariam se a cidade não adotar ações concretas que consigam reverter esse quadro e façam nossa cidade recuperar o tempo perdido, enquanto ainda há tempo.

Essa tarefa não será fácil porque é visível o clima positivo criado em torno dos municípios que conseguiram ser mais felizes na escolha de seus homens públicos nos últimos mandatos e, com isso, estão dando ao seu crescimento um caráter de habitualidade. O que, todos sabemos só é obtido quando se empresta ao mandato recebido nas urnas um verdadeiro sentimento de missão, uma causa autenticamente nobre, pois implica na sua prática com devotado idealismo. O exercício da política de forma maiúscula, bem longe da politicalha vulgar que só visa os interesses próprios, de grupos, partidários, e que, tristemente, tanto têm nos prejudicado nos últimos tempos.

Como a vida é para ser vivida de olho no parabrisa da frente, não no espelho retrovisor, por que não fazemos como as grandes empresas tem feito nestes novos tempos, quando partem para conquistar fatias cada vez maiores de mercado, a partir da visão crítica que adotam olhando para dentro, fazendo internamente duas perguntas: o que estamos fazendo e não deveríamos fazer e o que não estamos fazendo e deveríamos fazer ? Pessoas que querem melhorar simplesmente como seres humanos - como se precisasse existir qualquer outro objetivo - a partir de uma superior qualidade de vida, do crescimento da capacidade de se relacionar, da forma como conseguem praticar a verdadeira cidadania, têm feito a si próprias essas duas perguntas e a partir das respostas, adotam novas posturas, modificam atitudes, adaptam conceitos, sem nunca macular os seus princípios.

Tanto quanto as empresas e as pessoas, por que cidades também não podem fazer o mesmo? Além de indispensável, a “Carta por Bauru“ sugerida pelo JC na edição de domingo, precisa começar a ser imediatamente escrita, para ser aperfeiçoada na eleição do ano que vem. Somente assim, quem sabe, o julgamento implacável que a história sempre faz do que as gerações foram capazes de produzir, possa ter um mínimo de complacência com os responsáveis por essa desalentadora situação em que nos encontramos hoje.

O autor, Flávio Antonio de Angelis, é jornalista e consultor de empresas com foco em treinamento motivacional - www.panoramaassessoria.com.br

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