A Companhia de Habitação Popular de Bauru (Cohab) vai ter de gastar cerca de R$ 19 mil com verbas rescisórias nas demissões de quatro assessores de diretorias contratados na gestão-relâmpago de oito dias do ex-presidente da empresa, Rubens Spíndola. O anúncio foi feito ontem por Rubens de Souza, recém-empossado presidente da companhia. Os salários dos assessores variavam de R$ 2.300,00 a R$ 3.800,00.
Os cargos estavam ocupados por Pedro Valentim, César Ferreira, Celso Adriano Chermont - todos izzistas - e Antonio Carlos Cescato.Valentim e Ferreira são integrantes do Fórum de Discussões de Bauru, entidade que articulou de forma bastante acentuada a cassação do mandato do prefeito Nilson Costa (PTB).
Cada um deles, na média, deverá receber entre R$ 3 mil a R$ 4 mil de verbas rescisórias, mesmo tendo “trabalhado” oito dias na condição de assessores da presidência da companhia.
Assim que assumiu a presidência da Cohab, Souza pediu ao setor de Recursos Humanos que confirmasse as contratações.
Confirmada a situação, ele considerou as contratações irregulares porque há um acordo entre o Ministério do Trabalho, Caixa Econômica Federal e a própria Cohab de que as admissões na empresa só podem ser feitas através de concursos públicos, com exceção de assessores.
Essa foi uma das condições impostas pelo Ministério Público do Trabalho e pela CEF para que a empresa negociasse a dívida de R$ 44 milhões junto à instituição financeira federal.
Embora os quatro tenham sido contratados como assessores de diretoria, Souza explica que eles desempenhavam atividades não relacionadas às funções, como a de motorista.
Ele vai comunicar as contratações ao Ministério Público do Trabalho, que embora “legais”, no seu ponto de vista são “imorais”.
Ferreira, logo após tomar conhecimento do retorno de Nilson Costa (PTB) ao cargo de prefeito, apresentou atestado médico à direção da Cohab, alegando estar doente. Mesmo assim foi demitido após decisão da nova diretoria da companhia.
“Lamento essa situação. Para quem pregava tanta moralidade, a boa-fé no serviço público deveria ter este comportamento como norma de conduta na condução do erário público”, alfineta o presidente da empresa.
Souza diz que o acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho e a Caixa Econômica Federal - de só contratar através de concurso público - será mantido.
A repercussão das contratações e, na sequência, das demissões chega a Brasília. Hoje, o diretor financeiro da companhia, Roberto Bil Barbosa, está na Capital Federal para esclarecer a situação ao comando da Caixa Econômica Federal.