Política

Sindicância apura extorsão na Câmara

Ronaldo Schiavone
| Tempo de leitura: 2 min

A Mesa Diretora da Câmara Municipal de Bauru decidiu, em reunião realizada ontem à tarde, abrir uma sindicância para apurar o caso da assessora parlamentar Solange Maria Fichio, que acusa a advogada e funcionária da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) Solange Diniz Santana, de extorqui-la, mensalmente, há mais de dois anos.

Segundo o presidente do Poder Legislativo, vereador Renato Purini (PMDB), a investigação será coordenada por uma comissão formada por três funcionários da Casa. “Estaremos nomeando amanhã (hoje) as pessoas que irão integrar essa sindicância”, diz.

Solange Diniz, ex-mulher do ex-vereador Roberto Bueno (PTB), foi presa em flagrante anteontem, após receber um envelope da funcionária da Câmara contendo cerca de R$ 800,00, o equivalente a mais da metade de seu salário. Ela foi levada para uma cela especial da Cadeia Pública de Agudos e permanece presa.

No início da tarde de ontem, o presidente da subsecção Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Edson Reis, entrou com um pedido de liberdade provisória para a advogada, mas ainda não recebeu uma resposta da Justiça.

A acusação feita por Solange Maria é que, ao ser contratada para exercer um cargo de confiança, no início de 2001, passou a ser extorquida mensalmente por Solange Diniz, sendo obrigada a entregar parte do salário para cumprir um acordo feito com Bueno para o pagamento de pensão alimentícia. Procurado pela reportagem, o ex-vereador reafirmou que não vai comentar o assunto.

Depoimento

Ontem pela manhã, Roberto Bueno prestou depoimento à delegada-assistente da Delegacia Seccional de Bauru, Cláudia Garms Armani, e negou que houvesse qualquer acordo com a funcionária. “Ele confirma que realmente foi por intermédio dele que a vítima passou a trabalhar na Câmara Municipal, mas que em hipótese alguma fez qualquer exigência para conseguir esse emprego para ela”, diz a delegada.

Ela revela que está enviando as fitas de áudio e vídeo utilizadas durante a gravação da entrega do dinheiro para serem analisadas pelo Instituto de Criminalística (IC). “Estou aguardando o retorno dessas fitas, com a degravação, para encaminharmos o inquérito posteriormente ao Fórum”, afirma.

A delegada diz que tem dez dias para concluir o inquérito, mas que esse prazo pode ser ampliado caso Solange Diniz obtenha a liberdade provisória. “Se isso ocorrer, terei 30 dias para encerrar as investigações”, declara.

A reportagem esteve na Câmara Municipal e tentou conversar com Solange Maria, mas ela informou que não iria prestar declarações sobre o caso. Já a diretoria da Emdurb afirmou, através da assessoria de imprensa, que quer conversar com Solange Diniz antes de tomar qualquer decisão e que o município não terá prejuízos com a prisão da funcionária, pois os dias em que ela não comparecer ao trabalho serão descontados.

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