Turismo

Museus e ecologia

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Sobrados e palacetes com varandas e gradis de ferro, um forte e antigos templos religiosos contam a história da fundação de Belém, em seu bairro histórico.

Formam um conjunto que retrata a riqueza histórica da arquitetura colonial dos séculos 17 e 18, herança dos colonizadores portugueses.

Por isso são obrigatórios alguns passeios na área central, que devem incluir o Forte do Castelo (berço da vida social e política de Belém), a Catedral da Sé (um dos mais antigos templos religiosos da cidade) e a Igreja de Santo Alexandre (de arquitetura amazônica, que remonta ao início da segunda metade do século 18).

Nesses prédios centenários, funciona o Núcleo Cultural Feliz Lusitânia, formado pelo Museu do Forte do Presépio (antigo Forte do Castelo), o Espaço Cultural das Onze Janelas, o Museu do Círio e o Museu do Estado do Pará, que contam a história da cidade fundada em 12 de janeiro de 1616.

Todos esses marcos restaurados deram lugar ao núcleo, planejado em quatro etapas. Em 1998, foi inaugurada a primeira, composta pela Igreja de Santo Alexandre (antiga igreja de São Francisco Xavier) e pelo Museu de Arte Sacra (primeiramente residência e depois hospital militar).

São espaços culturais fundamentados em conceitos museológicos, que restauram na cidade os elos com sua arquitetura e história.

Museu de Arte Sacra

O Museu de Arte Sacra é composto pela Igreja de Santo Alexandre e pelo antigo palácio episcopal (originalmente Colégio de Santo Alexandre).

Os dois edifícios foram construídos para formar um conjunto, no qual a igreja seria o centro irradiador, exemplar da aquitetura jesuítica no Brasil.

A igreja começou a ser construída em 1698 e foi inaugurada em 21 de março de 1719. É composta por nave única, transepto e oito capelas lateriais. A sacristia localiza-se no braço esquerdo da nave.

A decoração é caracterizada pela arte barroca, com forte acento tropical, destacando-se as peças produzidas por jesuítas e índios.

Museu do Círio

O conjunto de casas alinhadas na rua Padre Champagnat, ao lado da Igreja de Santo Alexandre, abriga o Museu do Círio. Ele exibe o lado religioso e profano do Círio de Nazaré em seis coleções que envolvem objetos de culto, brinquedos populares, mantos, estandartes, documentos impressos e fotografias.

Museu do Forte

O forte data da fundação de Belém e resgata a história da colonização portuguesa na Amazônia. Abriga o museu que expõe os vestígios arquitetônicos revelados em prospecções e objetos em cerâmica tapajônica e marajoara, herança dos índios que viveram na região.

Casa das Onze Janelas

A Casa das Onze Janelas foi construída no século 18 como residência de Domingos da Costa Bacelar, um rico senhor de engenho. Em 1768, a casa foi adquirida pelo governo do Grão-Pará para abrigar o Hospital Real.

O hospital funcionou até 1870 e depois a casa passou a ter várias funções militares.

A Casa das Onze Janelas é referência em arte contemporânea na região Norte. O espaço sedia duas exposições permanentes com destaque para a arte contemporânea brasileira.

Museu do Estado

O Palácio Lauro Sodré, sede do Museu do Estado do Pará desde 1994, é um prédio em estilo neoclássico, construído com base em plantas do arquiteto italiano Antonio José Landi.

No apogeu do ciclo da borracha, quando a Amazônia incorporou os costumes e valores da Belle Époque, o então governador da capitania, Augusto Montenegro, imprimiu ao prédio e à sua decoração interna, cânones da época.

Parte do mobiliário foi traduzido da Europa. Belíssimos lustres em cristal foram colocados nos salões nobres e o pintor francês J. Casse foi contratado para decorá-lo.

Estas peças, somadas a telas de renomados pintores como Antonio Parreiras, Décio Vilares e Benedicto Calixto, passaram a constituir o núcleo mais significativo do seu acervo.

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