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Motos 125 marcam Salão Duas Rodas

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

O Salão das Duas Rodas é o mais aguardado evento ligado às motos do País. E a edição deste ano, realizada entre os dias 14 e 19 deste mês, no Centro de Exposições Imigrantes, na Capital paulista, não decepcionou os amantes das motocicletas. A “festa” das máquinas trouxe novidades, principalmente no segmento responsável pela maior fatia de vendas no País, o das 125 cilindradas.

Isso porque Suzuki, Kasinski e Sundown - fábrica conhecida por investir prioritariamente em bicicletas e scooters - exibiram modelos com os quais pretendem fazer frente em 2004 às já consagradas Honda CG 125 Titan e Yamaha YBR 125.

Enquanto a marca japonesa aposta todas suas fichas na GS 125 BR, que deve chegar ao mercado tupiniquim em abril do ano que vem, e no scooter Burgman 125 B, a Kasinski lançou a Ekonomica e a Sundown os modelos Max e Hunter.

Mas o Salão das Duas Rodas, que acomodou 291 expositores representantes de 625 marcas de 19 diferentes países e recebeu um público estimado em 200 mil pessoas durante os seis dias de realização, também abriu espaço para lançamentos mais sofisticados, que chegam às garagens de pouquíssimos privilegiados.

Nesse quesito, destaque para a apresentação da superesportiva YZF R1 2004 da Yamaha, uma das maiores sensações do evento ao lado da M1, moto utilizada pelo piloto brasileiro Alexandre Barros na temporada de Moto GP deste ano.

E, para não ficar atrás de sua eterna rival, a Honda lançou a CBR 600 RR, modelo vendido na Europa que deverá substituir a CBR 600F no mercado brasileiro. Outra sensação do estande da montadora japonesa foi a RC 211V, motocicleta que o italiano Valentino Rossi ganhou o Mundial de Motovelocidade de 2002.

A Suzuki mostrou as renovadas GSX-R1000 e GSX-750F. A superesportiva só manteve o nome e parte do motor da antecessora - design, quadro e sistema de alimentação são novos. E a famosa “sete galo” ganhou novo design, mas manteve o maquinário.

Já a mítica Harley Davidson também aproveitou o Salão para exibir suas quatro novidades da linha: as Sportster XL e Custom 883, a “top” de linha V-Rod, que ganhou a versão Black, e a Road King, que passa a ter um modelo denominado Custom.

Outras que também exibiram “motos dos sonhos” foram a BMW e a Ducati. A marca, de origem bávara, ostentou em seu estande os três modelos que foram lançados este ano - K1200 GT, R1150 Rockster e R 1200 CL. Já a fábrica da “Velha Bota” trouxe a belíssima Ducati 999, com preço estimado em R$ 117 mil.

Uma “estreante” no mercado brasileiro também marcou presença no Salão das Duas Rodas. Trata-se da inglesa Triumph, que apresentou aquela que pretende ser sua “motocicleta-chefe”: a “on/off-road” Tiger.

Os modelos conceitos também arrancaram suspiros dos apaixonados pelas máquinas de duas rodas. No estande da Honda, o destaque ficou por conta do scooter Elysium, que exibe design futurista, amplo pára-brisa e teto incorporado. Já no da concorrente Yamaha, outro scooter, o TMAX 500, foi o alvo dos olhares curiosos do público presente.

A única nota lamentável foi a ausência da japonesa Kawasaki, que, para tristeza dos amantes das motocicletas, não montou estande no Salão das Duas Rodas.

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Sem crise

Fabricantes, importadores e fornecedores de produtos, peças e acessórios para motocicletas, bicicletas e triciclos também estiveram presentes no Salão das Duas Rodas para mostrar as novidades de um mercado que movimentou cerca de R$ 8,3 bilhões em 2002 e passa por um notável crescimento.

Quem exemplifica o bom momento vivido pelo setor é Eric Henderson, diretor do Salão. “Há dez anos, as motos vendidas anualmente no Brasil chegavam a apenas 100 mil. Hoje, estamos perto da marca de um milhão, o que representa um crescimento de 900%, mesmo diante de uma recessão pela qual o País atravessou ao longo desses anos”, compara.

Segundo Henderson, o segmento tem atropelado a crise e crescido a cada dia. E ele enumera uma série de motivos para justificar o fato. “Além de muito mais econômica que o automóvel, a motocicleta é mais ágil e, na maioria dos casos, mais barata que o carro. Ela é também uma ótima alternativa para escapar do trânsito caótico registrado nos grandes centros do País”, defende.

Os números de 2003 também demonstram que o otimismo do diretor do Salão das Duas Rodas não é exagerado. O fechamento do primeiro semestre registrou aumento de 12% nas vendas no atacado em relação ao mesmo período do ano passado.

Quando o assunto é exportação, os dados são ainda mais animadores. As comercializações externas efetuadas durante os primeiros seis meses de 2003 aumentaram 130,9% quando comparadas no mesmo espaço de tempo de 2002.

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas e Bicicletas (Abraciclo), Yuri Horie, de janeiro a julho deste ano foram vendidas 506.366 motocicletas, contra 452.052 unidades do mesmo período do ano passado.

“Para 2003, foi estabelecida como meta a comercialização de um milhão de motos, o que representaria expressivo crescimento de 15% do setor”, revela Horie. Caso essa meta seja alcançada, acrescenta o presidente da Abraciclo, estima-se uma movimentação financeira de cerca de R$ 9,5 bilhões em negócios com veículos de duas rodas.

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