Saúde

Gravidez precoce é epidemia

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

O Ministério da Saúde tem encarado a gravidez na adolescência como uma epidemia. Um levantamento mostra que 26% dos partos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em 2000 foram de adolescentes com até 19 anos.

E esse índice está aumentando ao longo dos anos, segundo o ministério. Em 1976, era de 11,7%; passou para 12,7% em 1980; para 15,3% em 1988; 16% em 1990; 17,6% em 1994. O problema maior é que do total de 1,1 milhão de meninas entre 15 e 19 anos que dão à luz a cada ano no Brasil atualmente, 25% já têm filho e alegam que engravidaram “sem querer”.

A ginecologista Carla Lambertini Bonjorno cita uma pesquisa realizada em colégios públicos e particulares de Belo Horizonte (MG) em que foram entrevistadas cerca de 1.000 adolescentes entre 13 e 18 anos. Observou-se que 74,2% dos rapazes tinha vida sexual ativa, enquanto 75,3% das meninas disseram ser virgens.

Apenas 10,5% dos jovens afirmaram receber orientação sexual em casa e apenas 3,1% disseram receber orientação profissional. A maioria obtém informações da mídia e com amigos.

A ginecologista Cristiane Mariano Castilho, médica do programa municipal de atenção às gestantes, salienta que a maioria das adolescentes grávidas nunca fez uma consulta ginecológica. O pré-natal é sua primeira visita ao especialista. “Nunca fizeram um exame e chegam quase sempre com inúmeras informações erradas”, afirma.

Ela conta que costuma questionar essa jovens: e se ao invés de uma gravidez, fosse uma aids? “Mas elas não se preocupam. Elas até gostam da gravidez e não se dão conta de que isso vai mudar completamente suas vidas. No tempo da minha avó, era normal a mulher casar com 15 anos, só que tinha toda a estrutura familiar por trás. Hoje não”, destaca.

Castilho observa que a gravidez precoce traz inúmeras conseqüências. Muitas jovens abandonam os estudos e ficam impedidas de sair com os amigos. A menos que os avós assumam a criação.

“O que eu não acho bom, porque quebra o laço maternal. Sou da opinião que a adolescente tem que assumir a maternidade, amamentar, cuidar, pensar no futuro do filho, ser responsável pelo seu filho. Com ajuda da família, mas mantendo sua parcela de responsabilidade”, defende.

A médica salienta que a idéia de que nada acontece com ele e de que ele sabe bem o que está fazendo é comum na adolescência. “Só que eles usam métodos nada confiáveis, como o coito interrompido, e esquecem que estão no auge da fertilidade. Podem engravidar ao menor descuido ou adoecer”, encerra.

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