Bairros

Descendente italiano: caminho inverso

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 2 min

Filhos, netos e demais descendentes de italianos em Bauru estão fazendo o caminho inverso de seus antepassados. Eles estão voltando à Itália para trabalhar ou estudar.

É o que afirma Ilda Rugai Delicato, vice-presidente da Sociedade Italiana Dante Alighieri. A tendência é observada não só em Bauru, mas em todo o País. “A Itália está oferecendo boas condições de vida e eles têm essa vontade de tentar alguma coisa nova”, afirma.

Outro indício da volta às tradições, de acordo com Ilda, é a busca pelo aprendizado da língua italiana. “É uma forma de prestar homenagem aos antepassados. Os italianos estão voltando às suas raízes”, diz.

Atualmente, há aproximadamente 160 famílias associadas à Sociedade Italiana Dante Aliguieri. Ela é uma espécie de referência para o grupo. “A comunidade é unida. A impressão que temos é de que os descendentes saíram da Itália ontem. Aquele espírito de união e alegria persiste muito”, enfatiza a vice-presidente.

A comida italiana é outro grande laço que une a comunidade. Mensalmente, é realizado um almoço festivo na sede da sociedade, onde associados se reúnem. Há também festas culturais para comemorar datas importantes.

Em cada família, determinadas tradições também são mantidas. Uma delas, segundo Ilda, é a reunião dominical com música italiana e massas - pratos típicos do País.

As referências na área urbana de Bauru também são importantes para a comunidade. Uma delas é a arquitetura, presente em diversos prédios da cidade (inclusive o da Sociedade Italiana, na rua 1.º de Agosto). Os restaurantes de comida típica também apontam para a presença dessa colônia no Município.

História

De acordo com Ilda, a imigração italiana no Brasil começou em 1870, quando da unificação da Itália, e teve várias fases. “A Itália não tinha condições boas de vida para oferecer para as pessoas que emigraram. Não tinha trabalho e o país estava empobrecido”, diz.

Os imigrantes encontraram condições adequadas na América do Sul, na época da abolição da escravatura. O trabalho escravo estaria fazendo falta às lavouras de café. “Houve um pacto entre os países para que trouxessem esses italianos que estavam querendo melhores condições de vida”, expõe a vice-presidente.

Muitos dos imigrantes tiveram como promessa terrenos que pudessem cultivar. Eles foram encaminhados para regiões cafeeiras e acabaram, em muitos casos, recebendo tratamento de escravos. “Existem registros de terem sofrido muito”, destaca a italiana.

Quando as lavouras de café começaram a desaparecer, eles passaram a ocupar as áreas urbanas. Em Bauru, foi nesse período que formou-se a Sociedade Italiana Dante Alighieri, que este ano completa 97 anos.

“Os italianos que se destacaram reuniram-se para ajudar aqueles que não tinham sido muito bem sucedidos. “A sociedade servia para que os italianos se ajudassem. Foi assim que ela foi criada. Essa preocupação de auxiliar e ao mesmo tempo de cultivar a língua italiana existe até hoje”, diz Ilda.

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