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Polícia investiga pedidos de donativos

Luciana La Fortezza e Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

A polícia está investigando a atuação de quatro homens que estavam angariando roupas, calçados e dinheiro em bairros de Bauru em nome de uma entidade de apoio a crianças e adultos carentes e portadores de aids e câncer de São Bernardo do Campo. Ontem à tarde, eles percorriam as casas da Vila Santa Luzia, quando foram abordados pela Polícia Militar (PM), que os encaminhou ao plantão policial.

Após registrar um boletim de ocorrência de averiguação de estelionato, o delegado de plantão Fabio Mariotto liberou os rapazes, mas apreendeu um saco com 247 talonários de recibo referentes à campanha da solidariedade, três pares de tênis e três peças de roupas já doadas por bauruenses, além do caminhão da entidade.

“O material ficará até o final do inquérito à disposição da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Os quatro não apresentaram procuração que atestasse o trabalho prestado à entidade, somente uma autorização datilografada. Ligamos para São Bernardo, disseram que estavam correndo todo o Estado de São Paulo pedindo donativos, mas também não apresentaram documentos solicitados”, explica o delegado.

O Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da entidade, impresso nos talonários, constou como inexistente numa avaliação preliminar realizada por Mariotto. “Pode acontecer da entidade existir, mas estar irregular”, pondera o delegado.

As suspeitas recaíram contra eles devido a denúncias anônimas registradas pela PM, que os encontrou na rua Emílio Viegas na Praça Santa Luzia. No mês passado, o Tático-4 deteve nove homens para averiguação, que também estariam arrecadando roupas para outra entidade de apoio a menores e idosos, cuja autorização não foi comprovada.

Naquele ocasião, os suspeitos já haviam conseguido quantidade suficiente de doações para encher as carrocerias de dois caminhões.

Procedimento

“Desta vez, eles não haviam recebido nada, iam passar depois para recolher as doações. Eles já tinham distribuídos muitos tíquetes naquela região (Vila Santa Luzia)”, afirma o comandante da Base Centro da PM, tenente Jovercy Bergamaschi Júnior.

Conforme reiteraram os moradores do bairro, os rapazes que distribuíram os talonários ficaram de voltar depois para recolher o material.

“Eles passaram pedindo hoje (ontem) pela manhã e ficaram de voltar depois. Separei mais de dez peças. Já passaram várias vezes aqui”, conta Maura Elizabete Silveira.

Procedeu da mesma maneira Maria Marciliana Oliveira, que separou os donativos e os deixou reservados para que o neto entregasse. “Falaram que era para um entidade em São Paulo e eu acreditei. Agora, se não for para ajudar carentes, eu não acho justo. Se ainda não passaram recolhendo, não vou doar mais”, avisa.

Para evitar que suspeitas dessa natureza comprometam a colaboração dos bauruenses, a Secretaria do Bem-Estar Social (Sebes) recomenda que, em caso de dúvidas, os colaboradores façam contato com a secretaria para buscar informações sobre a entidade que solicita donativos.

“A Secretaria tem uma grande preocupação em que as pessoas não sejam enganadas e que isso comprometa a solidariedade. Todas as entidades de Bauru são registradas pelo Conselho Municipal de Assistência Social”, reitera a secretária do Bem-Estar Social, Darlene Martin Tendolo.

Tanto a Sebes quanto os policiais não dispunham de números relativos a ocorrências da mesma natureza registradas neste ano. O nome dos envolvidos, assim como o da entidade, não foram divulgados porque as investigações não foram concluídas. Se o estelionato ficar comprovado, os suspeitos podem pegar pena de um a cinco anos de reclusão.

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