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Direitos básicos


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Mudanças administrativas que ocuparam objetivamente projetos europeus há dois ou três séculos ainda não conseguiram ser implementadas no Brasil, figurando entre elas a reforma agrária, a distribuição de renda, a seguridade social e o término do analfabetismo. Conseqüentemente, neste Terceiro Milênio o brasileiro vai sendo impelido a conviver com estruturas verdadeiramente arcaicas, representadas por trabalho escravo, atingindo 130 milhões de pessoas, que vegetam com renda mensal de, no máximo, R$ 120,00, pois que somente 16 milhões têm rendimento mensal superior a cinco mínimos. Enquanto isso acontece aos adultos, de ambos os sexos, 3 milhões de crianças, entre 10 e 14 anos, estão fora da escola e paradoxalmente dentro do mercado de trabalho para subsídio de suas famílias. Infere-se, então, que o capitalismo tradicional vai fracassando como sistema capaz de prover os direitos básicos do cidadão brasileiro e da maioria dos países do mundo, o que se pode atestar lembrando que cerca de 80 por cento da produção industrial planetária são absorvidos por apenas 20 por cento da população universal. O restante sobrevive com o quê? Qual a sua alimentação? Quais os seus bens e utilidades mais imediatas? Como adquirir moradia própria ou cobrir locações imprescindíveis? Surge, então, em esferas políticas responsáveis, a idéia de repensar o socialismo como alternativa social, o qual, fundado na partilha genérica dos bens, fincaria raízes profundas nos terreiros da humanidade, pois, como proposta alternativa da sociedade, tem de partir de elementos concretos, nos quais economia e política precisam parceirizar-se livremente, sem imposições, por exemplo, da Lei de Segurança Nacional e de disposições institucionais defendidas por armas e munições como se verificou, negativamente, durante os tristes anos do período ditatorial, que determinou para a nação uma economia impatrioticamente endereçada para os interesses das elites, e largando ao Deus dará os da comunidade, cuja pobreza, conseqüentemente, ainda hoje se observa. Em seu reputadíssimo dicionário, o indiscutível Aurélio afirma que “o socialismo é um sistema político que preconiza a incorporação direta dos meios de produção ao corpo da coletividade”. Seria assim o socialismo que a nação estaria desejando para atingir o Fome Zero pregado pelo governo. E, então, precisa lutar corajosamente por sua democrática aplicação na busca de uma vida equânime para todas as classes de sua população. É a nossa opinião.

O autor, N. Serra, é o jornalista responsável do JC e delegado regional da Associação Paulista de Imprensa e da Ordem dos Velhos Jornalistas do Estado.

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