O dia-a-dia dos acampados é uma luta pelo prato de comida. Sem dinheiro suficiente para bancar a comida diária, grande parte deles se alimenta de doações que nem sempre chegam na hora em que mais precisam. Desde o início do ano, o governo federal distribuiu, em média, menos de uma cesta básica por família, num total de 174 mil cestas, de acordo com o Ministério da Segurança Alimentar e Combate à Fome.
No acampamento do grupo Terra Nossa, segundo o coordenador Celso Costa, o estado é de miséria. “Desde o início de 2003 recebemos duas cestas básicas por família. Hoje, vivemos de arrecadação feita pelos próprios acampados nos bairros e na cidade de Bauru.â€
O acampamento de Presidente Alves está iniciando uma horta comunitária para consumo interno. “O Lar Santa Maria de Pirajuí envia verduras e legumes para nós. Os moradores da cidade ajudam, mas cestas básicas do governo, eles não receberam.â€
Em Guarantã, os acampados se alimentam de doações de fazendeiros. “Alguns acampados fazem serviço na roça da vizinhança e ganham algum dinheiro.â€
No acampamento em Itapuí, a alimentação esteve garantida por um tempo, porque na fazenda os acampados haviam cultivado a lavoura e tinham algum recurso da venda dos produtos.
Segundo o líder do acampamento, Geraldo Luciano Soares Oliveira, no local chegaram a ser colhidas 4 mil sacas de milho. “Antes da liminar de reintegração de posse.â€
Ele lembra que feijão, mandioca, quiabo e outras leguminosas foram cultivados, mas a liminar acabou prejudicando as culturas. “Os funcionários da empresa que conquistou a liminar, entraram com trator e destruíram tudo.â€
Um acordo feito entre os sem-terra e uma empresa que arrendou a fazenda para corte de eucalipto garante R$ 800,00 mensais para ser dividido entre todos os acampados, além de uma cesta básica por família.