O objetivo do chamado check-up é fazer uma avaliação das condições atuais de saúde de uma pessoa. Isso engloba um conjunto de procedimentos. Começa pela conversa com o médico, passa por testes simples e pode chegar a exames mais complexos, quando necessário.
Para o médico Nelson Carvalhaes, coordenador de check-up do Fleury Centro de Medicina Diagnóstica em São Paulo, a medicina preventiva ajuda o ser humano na busca da longevidade, sem obrigatoriamente usar a sofisticação tecnológica. “Tirar a pressão, medir e pesar o indivíduo é tão importante como fazer os exames complementares”, destaca.
Opinião semelhante tem o médico Erkki Juhani Larsson, coordenador do check-up do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Ambos defendem que a qualidade do check-up começa na escolha de um bom profissional. É o médico quem vai direcionar a avaliação.
Eles explicam que o profissional requisita os exames de rotina de acordo com o histórico familiar, a idade e os hábitos de cada paciente. Um fumante, por exemplo, pode exigir uma avaliação específica dos pulmões. Um jovem cujos pais tenham problemas cardíacos precisa ter um acompanhamento cardiológico precoce e assim por diante.
Segundo Carvalhaes, a medicina preventiva atua em três níveis. No nível primário, o médico utiliza recursos para evitar que o indivíduo adoeça. As vacinas, as ações educativas, as medidas sanitárias adotadas pelos governos são alguns exemplos.
Os exames que visam o diagnóstico precoce ficam no nível secundário. É o caso dos testes sangüíneos para monitorar os níveis de colesterol, triglicérides e glicemia; da medição da pressão arterial; dos exames por imagem para vasculhar a existência de nódulos, cistos ou outras alterações e assim por diante.
A fisioterapia e outras medidas que tentam conter as complicações e evoluções das doenças estão no estágio mais avançado da medicina preventiva.
Algumas destas ações, como as vacinas, os controles de pressão, colesterol, peso, glicemia, os cuidados odontológicos (que são considerados procedimentos simples) devem ser aplicadas a todas as pessoas. Os exames mais complexos são indicados conforme a necessidade de cada paciente - o que só pode ser avaliado e determinado pelo médico.
Para a cardiologista Maria Stela Mantovanini, a grande vantagem dos exames preventivos é impedir complicações futuras. “Como a isquemia miocárdica - uma alteração cardíaca silenciosa que pode ser detectada num simples teste ergométrico”, comenta.
Outro exemplo é o diabetes. O paciente que inicia o tratamento precocemente e controla bem seu nível glicêmico pode conviver normalmente com a doença ao longo de anos. A falta de tratamento, porém, pode causar complicações graves, como a cegueira, a insuficiência renal crônica, doenças cardiovasculares e até amputações.
Questionada sobre as pessoas que se recusam a fazer o check-up alegando que “quem procura acha”, a médica observa que só se descobre o que já está lá. Ela lembra que os exames preventivos permitem ao médico descobrir as doenças logo no começo. Isso facilita o tratamento e aumentam muito as chances de cura.
“Ainda bem que a gente acha. É muito melhor descobrir uma doença no começo, do que depois que o organismo já está todo tomado e lesado”, completa.
A medicina estabelece alguns critérios para a realização dos exames preventivos. Eles levam em conta a faixa etária, a predisposição genética, a dieta, o nível de atividade física, o tipo de emprego, eventuais vícios, comportamento sexual e outros hábitos.
Outro critério importante é se o paciente é homem ou mulher. As diferenças biológicas entre eles também são determinantes para a escolha dos exames que devem ser feitos num check-up.
No grupo feminino, a avaliação começa mais cedo e tende a ser mais rigorosa, principalmente em função das mudanças hormonais que ocorrem no decorrer da vida.