Contrariando o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), os produtores Roberto Pagani e José Carlos Alves Neto afirmam ser, respectivamente, proprietário e arrendatário de terras nos limites do Horto Florestal Aymorés. Por conta disto, ambos já teriam sofrido diversos prejuízos e ameaças por parte de integrantes do grupo Terra Nossa. O Itesp afirma que toda a área pertence à Ferrovia Federal S/A (RFFSA).
De acordo com Alves Neto, o grupo estaria atualmente ocupando a área que ele arrendou. Há cerca de quatro meses, ele teria requerido a reintegração de posse, obrigando os sem-terra a desocupar o local.
“Na época, eles (sem-terra) continuaram no local, eu não consegui entrar. Eles continuaram roubando minhas coisas, danificando a propriedade e matando meus bois”, relata.
O produtor conta que possuía criação de gado e teria sido ameaçado quando o grupo invadiu a propriedade pela primeira vez. “Eles disseram que iam matar todas as minhas cabeças (de gado) se eu não retirasse dali. Eu tirei e mesmo assim, eles mataram quatro”, afirma Alves Neto.
O agricultor Roberto Pagani afirma que também sofreu diversos prejuízos com a presença do grupo Terra Nossa nas proximidades da propriedade de seu pai, que o Itesp reivindica como sendo da RFFSA.
“Eles estão roubando tudo, danificando tudo. Roubaram mais de 10 mil metros de cerca, estouraram minha represa e eu perdi 45 mil peixes. Também botaram fogo em 200 caixas de abelha (apiários)”, conta.
Pagani tem mais de 20 BOs registrando os problemas, inclusive das vezes em que conta ter sido ameaçado.
O titular da Delegacia de Pederneiras, Eduardo Samuel Sganzela, confirma o registro de vários BOs. Ele diz não saber ao certo quantos inquéritos já foram gerados pela presença dos agricultores sem-terra na região. “São quatro, no mínimo. Entre eles, há investigações sobre furto de objetos e de gado”, diz.
Sganzela declara que está investigando a possibilidade de alguns membros e coordenadores do Grupo Terra Nossa possuírem documentos de identidade falsificados. “Precisamos de uma identificação correta para conseguir a responsabilização criminal. Se tivéssemos a qualificação correta, procederíamos com o indiciamento e a Justiça tomaria conta do caso”, declara.