A akita Shiromi, ou simplesmente Shirô, foi sacrificada em agosto deste ano por causa de um câncer de mama que se espalhou por vários outros órgãos. Sua criadora, Mary Ziliotto, conta que da descoberta do tumor até a opção pelo sacrifício foram três meses de profundo sofrimento. “Sofrimento dela e nosso”, observa.
Segundo Mary, Shirô era uma cachorra extremamente saudável e forte. “Além de ter um espírito samurai imbatível - lutou até o final. Aquela ferida aberta, dolorosa e com mau cheiro, com uma secreção inacreditável e crescendo, se expandindo, não só para outras mamas, como para o lado esquerdo todo dela”, afirma.
“Foi uma lição de coragem para mim, que ainda tive, quando ela não mais se manteve em pé, de optar por sacrificá-la. Na véspera, quando ela não se conteve e, pela primeira vez em 13 anos, evacuou não só dentro de casa como em si mesma, seu olhar de dor e humilhação me bateu lá dentro da alma, além do seu choro sentido”, lembra.
Mary comenta que o tumor apareceu de repente, como uma ferida aberta que não cicatrizava. Levada ao veterinário, soube-se que era um tumor, um câncer que já começava a se espalhar por outros órgãos. “Observei de perto como é a metástase e como ela é insidiosa. Como ela suga tudo, tudo mesmo de um ser. Até levar a vida em si. E como a gente apodrece em vida. Não é mesmo fácil lidar com isso. É uma guerra sem esperança”, admite.
Numa carta emocionada escrita pouco depois da morte da cachorra, Mary lamenta sua impotência diante de tamanho sofrimento. “(...) Nunca me esquecerei dos seus olhos me fitando, pedindo socorro... socorro que eu não pude dar. Falhei na hora principal. Queria que você pudesse saber disso: eu só lhe pude dar o que encontrei de melhor em mim durante esta doença maldita, que foi corroendo você por dentro e por fora”, desabafa.
Sem opção de tratamento, anêmica e com uma evolução rápida e extremamente agressiva do câncer, o sacrifício foi inevitável. “Mas minha brava samurai lutou até o final”, encerra.