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Seminário: rádio deve resgatar cultura

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Resgatar a função educativa do rádio e sua importância como ferramenta de ensino e preservação cultural. Este foi um dos principais objetivos do seminário “Onda Cidadã: Radiodifusão, Cultura e Educação”, encerrado ontem na Universidade do Sagrado Coração (USC) de Bauru. O evento é uma iniciativa do Instituto Itaú Cultural e reuniu cerca de 60 profissionais das áreas de comunicação e educação.

De acordo com o consultor do instituto, Claudiney Ferreira, o projeto Onda Cidadã foi lançado em setembro deste ano com o intuito de salientar a importância de os profissionais de radiodifusão estarem sintonizados com a arte, a educação e a cultura, buscando um desempenho ainda mais responsável para com seu público.

“As pessoas costumam dizer que rádio é só diversão. Ele traz diversão, mas também é um veículo de cultura, de educação e de discussão social e política”, defende. Para ele, essa atuação responsável deve estar presente não só nas rádios educativas e comunitárias, mas também nas emissoras comerciais.

Segundo a jornalista Alexandra Bujokas, uma das organizadoras do evento, as rádios comerciais tentam criar espaço para veicular programas mais educativos, enquanto as emissoras comunitárias têm os projetos mas não sabem, muitas vezes, como colocá-los em prática. “O seminário reuniu profissionais destas duas categorias para uma troca de experiências”, comenta.

Entre os participantes, destaca-se a presença do diretor de comunicação da União de Núcleos, Associações e Sociedades de Heliópolis e São João Clímaco (Unas), de São Paulo, e da coordenadora diocesana das rádios comunitárias da paróquia de São Carlos, Carmem Regina Silva, que compuseram a mesa-redonda “Rádios cidadãs: experiências de dois casos”.

Outro destaque do encontro foi a mesa-redonda “Música brasileira nas ondas do rádio”. O jornalista Fábio Fleury, da Unesp FM de Bauru, comentou que um dos papéis do rádio é fazer com que a música nacional seja perpetuada. Na opinião dele, é por meio do rádio que um jovem de 15 anos consegue ter acesso a uma música composta décadas antes dele nascer.

Nesse sentido, os participantes ressaltaram a importância de uma seleção e programação mais elaboradas como uma forma de se preservar a música de qualidade. Também participaram do debate a professora Lígia Carvalho Almeida, da USC, e o músico Aquiles Reis, integrante da banda MPB-4.

A terceira mesa-redonda apresentou o tema “Panorama das práticas de Educomunicação”. “O objetivo era debater como os meios de comunicação podem ser usados na educação formal e não-formal. Que cuidados se deve ter com esse uso para que ele não seja ingênuo”, explica Bujokas.

A educomunicação é uma área de estudos que associa educação e comunicação como ciências interdependentes. Ela prevê tanto o uso dos meios de comunicação em salas de aula, quanto a elaboração de matérias jornalísticas mais educativas e menos fragmentadas.

Para o consultor Claudiney Ferreira, educação e cultura são as principais informações que um brasileiro deve buscar. Ele defende que o País está em situação crítica justamente por não dar a devida importância para estes itens.

“Você não resolve o problema de violência à bala. Você não resolve os problemas de saúde com seringas, dando injeções. Essas questões só podem ser resolvidas com civilidade, com educação e cultura”, salienta. Ele ressalta que a disseminação destes conteúdos é responsabilidade das elites, dos formadores de opinião. Entre eles, a mídia.

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