Auto Mercado

Editorial

Da Redação
| Tempo de leitura: 2 min

Depois de cair da primeira para a terceira posição no mercado automobilístico, e de brigar com sindicatos por causa de uma proposta envolvendo o corte de quase 4 mil postos de trabalho, a Volkswagen anunciou, na última terça-feira, mudança no comando no Brasil, seu maior mercado depois da Alemanha.

A partir de janeiro, a empresa será presidida por Hans-Christian Maergner, hoje diretor executivo da Volkswagen na África do Sul. Maergner substituirá o inglês Paul Fleming, que assumirá novas responsabilidades no Grupo Volkswagen.

É a segunda mudança em pouco mais de um ano. Fleming substituiu Herbert Demel em outubro do ano passado. Oficialmente, a montadora informou que trata-se apenas de um giro de rotina entre executivos. Demel, ao contrário de Fleming, chegou a ficar no cargo por cinco anos.

Para executivos de outras montadoras, alguns com passagem pela Volkswagen, Demel teria deixado o posto por resistir à idéia de criar a Autovisão no País. Uma empresa de recolocação de profissionais da própria montadora, que foi instalada com êxito na Alemanha e com a qual a Volks pretendia reduzir profissionais da sua folha, realocando-os em fornecedores e até em outros ramos de atividade.

Fleming assumiu com essa missão, mas esbarrou na resistência dos trabalhadores e sindicatos, aos quais acabou fazendo as concessões que queriam desagradado à matriz.

A criação da Autovisão, que consumiria investimento de 150 milhões de euros, foi apresentada em primeira mão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas, se a recepção à proposta que impediria demissões imediatas agradou o Planalto, a sua apresentação aos trabalhadores gerou vários atritos e um desgaste para a Volkswagen, paralelamente à perda de mercado para os concorrentes.

Quando Demel assumiu a Volkswagen no Brasil, há mais de seis anos, a montadora era líder de mercado. Mas, ao passar o comando a Fleming, a montadora já não desfrutava mais da liderança. Havia perdido terreno para a Fiat e seus carros populares. Fleming, que entrou para retomar a posição de liderança da Volks, acabou amargando a terceira colocação. A GM aproveitou os problemas da Volkswagen, como a polêmica criação da Autovisão, para ganhar espaço.

De janeiro a outubro, a Volkswagen ficou com 21,75% das vendas de automóveis e utilitários leves no Brasil, de acordo com dados da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotivos (Fenabrave). A fatia da Fiat foi de 24,62%, e a da GM de 24,22%, enquanto a Ford ficou com 11,35%.

Comentários

Comentários