Jaú - O comando da Polícia Militar de Jaú (47 quilômetros a Leste de Bauru) implantou na cidade um sistema de protocolo que poderá ser usado como modelo pelo Comando de Policiamento do Interior (CPI-4) em mais de 100 municípios da região.
O sistema começou a funcionar em outubro e recebeu elogios do coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, comandante do CPI-4, em Bauru.
A iniciativa não traz nada de revolucionário, mas tem se mostrado eficiente. Ela consiste apenas em dar explicações detalhadas à população do que a polícia faz quando é acionada pelo telefone 190.
Cada ligação gera um número de protocolo. Caso a pessoa que ligou queira saber, mais tarde, quais foram as providências tomadas pela polícia, é só apresentar o número.
A idéia agradou o comandante Eclair, que foi conhecer o sistema em Jaú e agora pensa em implementá-lo também nas cidades da região, que estão sob o comando do CPI-4. Mas não seria em todas. Segundo explicou o coronel, o alvo preferido seriam os municípios com no máximo 100 mil habitantes.
Na opinião do comandante, a grande vantagem do sistema implantado pela polícia em Jaú é a transparência. Ou seja, a possibilidade de dar uma resposta à população do trabalho realizado.
Eclair disse que vai esperar ainda mais um ou dois meses para fazer uma avaliação melhor do programa. O que ele viu até agora agradou.
Sem reclamação
De acordo com o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar de Jaú, o tenente Jefferson Bastos, após a implantação do sistema não foi registrada nenhuma reclamação quanto ao serviço dos policiais. Segundo o comandante, era comum ouvir pessoas dizendo que ligou para o 190, “mas a polícia não fez nada”.
“Agora temos como mostrar o que foi feito”, explicou o tenente. “Se uma pessoa está passando de carro na rua e vê algum acidente ou roubo e liga do celular para a polícia para avisar, ela poderá saber, detalhadamente, tudo o que aconteceu depois. É só apresentar o número do protocolo”, disse Bastos.
“Desta forma, é possível ao cidadão saber se a polícia, que é paga por ele, realmente funcionou.” Na opinião do comandante, a implantação do sistema pode estar mudando a maneira de pensar da população que andava desconfiada do serviço prestado pela polícia.
Bastos usa como argumento o aumento que houve nos últimos dois meses no número de ligações para o serviço 190. Segundo ele, a média passou de 300 para 400 ligações por dia.
Todo o trabalho de recebimento e despacho das ocorrências é feito, normalmente, por três policiais. O atendente registra as ligações e passa para o despachador, que aciona a viatura que está mais próxima do local da ocorrência. Já o chefe de operação serve como um apoio aos dois colegas. É ele quem aciona, quando necessário, a equipe do Corpo de Bombeiros.
Embora, hoje, o trabalho seja feito manualmente, há previsão de que ele seja informatizado no ano que vem, segundo informou o comandante.
A idéia de implantar o sistema de protocolo surgiu em reuniões com os policiais do Centro de Atendimento e Despacho (Cade), que se mostraram incomodados com as críticas de uma parcela da população, que dizia não confiar na polícia.