Polícia

Presas se rebelam após fuga frustrada

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

A Cadeia Feminina de Cabrália Paulista (45 quilômetros a Sudoeste de Bauru), que abriga presas de toda a região, viveu ontem um dia agitado. As detentas rebelaram-se, destruindo celas e queimando colchões, depois que o plano de fuga, que deveria ser colocado em prática ontem de madrugada, foi descoberto pela Polícia Civil da cidade.

Ninguém ficou ferido. Oito das 82 detentas foram transferidas, mas a polícia não informou para onde, alegando questão de segurança. Das cinco celas, uma ficou bastante danificada e teve de ser interditada temporariamente.

A medida agravou ainda mais o problema da falta de espaço, por causa da superlotação da cadeia. A cadeia tem capacidade para 30 pessoas, mas ontem estava com 82. Após as transferências, ficou com 74. Em seis meses, essa é a segunda vez que a unidade registra uma rebelião.

O delegado Rogério Dantas Monteiro da Silva, diretor da cadeia, não revelou como ficou sabendo do plano de fuga. Segundo contou, as detentas planejavam render a carcereira de plantão, durante a madrugada, para poder ter acesso à rua.

Se tudo corresse conforme o planejado, do lado de fora da cadeia um carro estaria esperando para levá-las embora. Assim que soube da estratégia, o delegado reforçou a segurança interna da cadeia e passou a patrulhar disfarçadamente a área externa. A ação começou por volta da 1h de ontem.

Os policiais notaram, durante o patrulhamento, que um Gol cinza estava passando com muita frequência ao lado da cadeia. O veículo foi abordado e dentro dele estavam três pessoas. Entre elas, o filho de uma detenta.

Todos foram conduzidos para a delegacia e interrogados. Como nenhum deles têm antecedentes criminais e não foi achada arma no interior do veículo, os três foram liberados pelo delegado. Todos são de Bauru, segundo ele.

Quando perceberam que o plano havia sido descoberto, as detentas se rebelaram e passaram a destruir as celas. Duas delas tiveram algumas grades serradas e outra teve a parede parcialmente destruída.

Como a situação estava começando a fugir ao controle da polícia local, foi pedido o reforço dos policiais do Tático-4 de Bauru e das polícias Civil e Militar de Duartina.

Assim que eles chegaram, o diretor da cadeia iniciou uma revista minuciosa em cada uma das celas. Nada foi encontrado, mas todos os pertences das detentas foram retirados e empilhados em um corredor da cadeia.

Dentro das celas ficaram apenas os colchões. O trabalho terminou por volta das 7h. Três horas mais tarde, as detentas iniciaram nova rebelião. Elas retomaram a destruição das celas e passaram a queimar os colchões.

Novamente os policiais do Tático-4 de Bauru foram chamados, mas não precisaram entrar em ação. O delegado J.J. Cardia, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) também compareceu para ajudar a controlar a situação, que voltou ao normal por volta das 16h.

Sobre as serras que teriam sido usadas para cortar as grades, o diretor da cadeia disse que é difícil evitar que elas entrem nas celas. Segundo ele, algumas acabam sendo jogadas por pessoas que estão do lado de fora da cadeia. Como o pátio é descoberto e fica próximo da rua ou de outros terrenos vizinhos, não é difícil arremessar objetos para as detentas.

O diretor citou também as idas ao Fórum e o contato com as visitas como formas de as detentas obterem esses materiais ilegalmente.

Além da transferência feita ontem de manhã, das oito detentas, não havia nenhuma outra prevista para os próximos dias, segundo informou o delegado J.J.Cardia. Quanto à superlotação, o delegado disse que não há o que fazer por causa da falta de vagas também em outras cadeias femininas.

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