Política

Vida do revolucionário Márcio Leite de Toledo é tema de livro

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

O escritor bauruense Antônio Pedroso Júnior lançou ontem seu terceiro livro, “Márcio, o guerrilheiro”, sobre a vida e a participação de Márcio Leite de Toledo em movimentos estudantis, políticos e armados contra o regime militar.

O autor comenta que a história da vida de Toledo, que viveu sua infância e adolescência em Bauru, sempre lhe despertou curiosidade, justamente por conta das dúvidas sobre seu comportamento frente à Ação Libertadora Nacional (ALN) e sua morte.

“O final da vida do Márcio é controverso. Muitos diziam que ele queria abandonar a luta, abandonar a organização, e outros diziam que ele havia sido traído pela ALN. Nós resgatamos a história e tivemos a felicidade de entrar em contato com aqueles que militaram no movimento estudantil e que treinaram guerrilha com ele. Estas pessoas deram os subsídios para o livro”, diz Pedroso.

Toledo era filho de Antônio Eufrásio de Toledo, que implantou em Bauru a Instituição Toledo de Ensino (ITE). Atualmente, o prédio principal da faculdade leva o nome do rapaz, morto em 1971. Segundo o autor do livro, Toledo deixou Bauru e foi para São Paulo estudar direito na Universidade Mackenzie em 1965. Nesta época, ele começou a se envolver com o Partido Acadêmico Libertador, do movimento estudantil da universidade.

“Alguns membros do partido faziam parte do grupo de base do Partido Comunista Brasileiro (PCB), dentro do Mackenzie. O Márcio se engajou no movimento, e também fazia três faculdades: direito, sociologia e propaganda e marketing”, diz Pedroso.

Como o PCB defendia a idéia de que a luta pacífica poderia derrubar o regime militar, muitos jovens participantes do movimento decidiram acompanhar líderes como Carlos Marighela na criação do Agrupamento Comunista de São Paulo, que seria o embrião para a ALN.

“Nesta época, alguns foram treinar guerrilha em Cuba, e Márcio ficou lá quase dois anos. Quando ele voltou para o Brasil, estava bem preparado intelectualmente e militarmente, em condições de assumir o comando da luta revolucionária. Ele foi dirigente nacional da ALN”, conta Pedroso.

Renato Leonardo Martinelli foi colega universitário de Toledo e companheiro no movimento contra o regime militar. Ele comenta que os dois voltaram juntos de Cuba e que o encontrou pela última vez em dezembro de 1970, meses antes de sua morte.

“Ele estava propondo uma discussão com o comando da ALN para mudar a linha de atuação. Ele propunha um recuo, uma parada estratégica, porque nós estávamos em situação precária em relação ao inimigo. Nessa luta de peito aberto, o comando preparou uma cilada para ele, como se fosse uma reunião, e quando ele chegou, foi morto a tiros”, relembra Martinelli.

Para o colega de luta, o lançamento do livro com a história de Toledo cumpre o dever de homenagear sua participação na luta contra a ditadura. “Tínhamos dois deveres com o Márcio: homenageá-lo como revolucionário, militante da luta do povo brasileiro, e porque ele foi injustiçado”, declara.

O autor considera que o livro resolve a polêmica em torno do assassinato de Toledo. “Hoje eu posso dizer que sinto minha missão cumprida por ter resgatado sua imagem, não só para Bauru, mas sua importância nacional. Hoje, sabemos que ele era um revolucionário e que jamais abandonaria a luta”, afirma Pedroso.

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