A decisão de expulsar a senadora Heloísa Helena (AL) e os deputados João Fontes (SE), Babá (PA) e Luciana Genro (RS), tomada no último domingo pela direção nacional do PT em razão do posicionamento radicalmente contrário desses parlamentares às orientações do partido, repercutiu de maneira diferente entre os integrantes da legenda em Bauru e na região.
O sindicalista Roque Ferreira, membro do diretório estadual do PT, afirma que a expulsão fere os princípios do partido. “Votar contra a reforma da Previdência, nos moldes como ela foi proposta para os servidores públicos, não se caracteriza um ato de indisciplina. O que estava em jogo era a manutenção da coerência, porque o PT combateu de maneira valorosa o conteúdo dessa reforma quando ela foi apresentada pelo governo anterior”, diz.
Ferreira, que integra a corrente de trabalho do partido, acredita que a saída dos parlamentares é um sinal de que o PT não pretende mudar sua forma de atuação. “E para continuar mantendo essa política econômica submissa aos interesses do Fundo Monetário Internacional (FMI), precisará a cada dia aprofundar os ataques à maioria da população”, opina.
Já a presidente do PT em Bauru, Estela Almagro, defende a posição tomada pela direção nacional. “A partir do momento em que o partido consegue alcançar o poder central no País, você ter três deputados e uma senadora votando insistentemente não só contra as posições do PT, mas também dando munição e somando com a oposição, é inadmissível”, diz.
Para ela, os parlamentares deveriam ter tomado a iniciativa de deixar o PT. “Não havia decisão mais sensata do que essa. Como eles não a tomaram, considero que foi ponderada a decisão de expulsá-los”, comenta.
A opinião é compartilhada pelo tesoureiro municipal do PT e membro da corrente de articulação da legenda, Cláudio da Silva Gomes. “Você chega a um ponto em que não dá para ser governo e, ao mesmo tempo, oposição. Ou você faz parte do partido e aceita pagar os ônus, ou sai. Do contrário, será isolado e visto como ovelha negra”, acredita.
Região
Os dois prefeitos do PT na região, Valderez Vegiato Moya, de Lins, e Antônio Mário Ielo, de Botucatu, se mostram favoráveis a saída dos parlamentares. Para eles, a legenda não poderia permitir uma oposição sistemática de seus próprios integrantes.
“O partido político é algo voluntário e você faz parte se quiser. Ele tem regras e o PT, especialmente, tem princípios definidos que permitem a discussão. Só que uma vez tomada a decisão, ela tem que ser respeitada. Se a direção não optasse pela expulsão, a bagunça seria estabelecida”, diz Valderez.
Ela afirma que lamenta, especialmente, a saída de Heloísa Helena. “Eu conheço a senadora, que é uma pessoa ideológica e compreometida, mas não havia como ela permanecer no partido”, declara.
O chefe de Gabinete da prefeitura de Botucatu, Tristan Dierckx, diz que o prefeito Antônio Mário Ielo defende a direção nacional da legenda. “O desacato e a posição sistematicamente contrária ao partido comprova que eles não acreditam mais no PT. A expulsão talvez seja a melhor maneira para resolver esse impasse”, justifica.
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Carta
A direção nacional do PSTU divulgou uma carta aberta à senadora Heloísa Helena e aos deputados expulsos pelo PT. O documento afirma que o partido se sente indignado com a decisão.
O PSTU diz, ainda, que o momento é propício para a construção de um novo partido de esquerda e convoca os ex-petistas a participarem da iniciativa, alegando que ela é uma necessidade dos trabalhadores do País.