Economia & Negócios

Convênio beneficiará 10 mil comerciários

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Um convênio assinado ontem entre o SinComércio (Sindicato do Comércio Varejista), Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru e Caixa Econômica Federal (CEF) pode beneficiar 10 mil comerciários de Bauru com empréstimos a juros a partir de 1,75% ao mês. A principal novidade é que dispensa avalista e o pagamento é descontado em folha de pagamento.

O programa, que estava disponível desde o ano passado mas inacessível ao trabalhador, passa agora a ser colocado em prática, segundo destaca o presidente do SinComércio, Walace Garroux Sampaio. “Os convênios têm que ser assinados pelos bancos, sindicatos ou centrais sindicais. Ocorre que esqueceram de incluir nesse processo as empresas, e é exatamente esta lacuna que nós estamos preenchendo”, observa.

Agora, o programa, que na opinião de Sampaio estava desacreditado, passa a disponibilizar empréstimos aos funcionários das três empresas que assinaram o convênio ontem em Bauru, durante solenidade oficial realizada na sede do SinComércio.

“Estamos assinando o contrato com três empresas de Bauru, que são Ceará Magazine, Gelonese Material de Construção e Supermercados Confiança. Com isso, o círculo se fecha e, a partir de hoje (ontem), cerca de 900 comerciários já podem procurar pelos empréstimos e retirar o dinheiro, que ainda pode ser utilizado para planos que incluem o Natal e o ano novo.”

A estimativa, segundo Sampaio, é de que 10 mil comerciários sejam beneficiados com a assinatura do convênio em Bauru. A partir da próxima semana, os benefícios serão estendidos a empresas de outras cidades da região, como Pederneiras, Agudos, Lençóis Paulista e outros dez municípios.

Sampaio frisa que o programa de empréstimo dirigido ao trabalhador com desconto na folha de pagamento tem juros subsidiados. “São financiamentos com juros a partir de 1,75 % ao mês, muito abaixo da taxa praticada pela CEF, porque foi negociado em bloco pelos dois sindicatos. Essa parceria firmada hoje (ontem) entre a CEF e o setor empresarial é a primeira que se faz em todo Brasil”, enfatiza Sampaio.

O convênio, que está sendo oferecido em âmbito nacional, visa disponibilizar crédito barato ao trabalhador, de acordo com o superintendente do Escritório de Negócios (EN) da CEF em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira. “Ele minimiza custos para as pessoas que querem realizar um sonho ou colocar sua vida financeira em ordem.”

Oliveira explica que o trabalhador vai ter acesso ao financiamento através da empresa que trabalha. “O funcionário é cadastrado pela própria empresa, e é ela que encaminha o processo para a Caixa. O contato direto não é possível.”

O trabalhador, segundo informa o superintendente do EN, poderá comprometer até 30% de sua renda ao aderir ao financiamento.

“Nossa expectativa é que haja um crescimento rápido nessa carteira. As empresas interessadas podem entrar em contato com a CEF para firmar o convênio”, diz.

Para o presidente do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru, Benone Cabelo Batista, os empréstimos poderão servir para saldar débitos. “Os comerciários têm um salário pouco elevado. Os empréstimos poderão ser usados para saldar dívidas que eles tenham contraído durante o ano.”

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Cautela

O economista e delegado do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP) Reinaldo Cafeo dá algumas orientações práticas para o trabalhador que estiver pensando em adquirir o empréstimo. Segundo ele, utilizar esse financiamento que oferece juros subsidiados para evitar o cheque especial ou para pagar dívidas nas quais os juros sejam de 5%, por exemplo, é uma boa opção.

“Para quem estiver pensando em aderir para fazer compras neste final de ano, eu não aconselho. É melhor adequar os gastos ao orçamento e pagar à vista para conseguir bons descontos, além de não se ‘enrolar’ com outras prestações”, salienta Cafeo.

De acordo com o economista, apesar do valor do empréstimo já ser limitado a 30% da renda líquida, ele sugere que o trabalhador estipule um índice um pouco abaixo, principalmente se já tiver outros compromissos. “Por último, antes de contrair o empréstimo é necessário avaliar muito bem os gastos fixos e o caixa doméstico.”

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