Tribuna do Leitor

É só querer


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Não podemos dizer quem somos, o que somos ou o que seremos. Podemos, entretanto, considerar os fatos e acontecimentos cotidianos para vislumbrar, quem sabe, um futuro que nos seja mais promissor do que o que temos presenciado até o momento, ou relembrado do passado. Assisti “O Senhor dos Anéis”, fantástica produção que a todos encantou, principalmente pelo que existe somente na imaginação. Alguém como eu (e foram vários) viu o filme. Em especial o padre Beto, de Bauru, que na sua acuidade visual, auditiva e intelectual, aliadas ao excelente conhecimento da matéria, como cronista da sétima arte, salientou e comentou uma frase mencionada no filme, “desejo sair de minhas gaiolas”, explicando, doutrinária e filosoficamente, as “gaiolas” de nossas vidas. Se pessoalmente as possuímos (gaiolas), por que não as extrapolar do âmbito de nosso próprio ser, para a conceituação de nossas cidades? Talvez existam gaiolas prejudicando o crescimento de uma cidade. A nossa, por exemplo. Será que ditas gaiolas não seriam nossos próprios políticos que, com suas tramas, estariam prejudicando e cerceando o desenvolvimento de nossa cidade? Por que não tentar a libertação abrindo as portas das gaiolas para que o Senhor dos Anéis possa livremente desenvolver o destino da cidade? É um pensamento, ou uma idéia, bem o sei, talvez de tão estapafúrdia possa até ser mal entendida, o que é comum e não raro quando se pretende alavancar o dinamismo como um prenúncio de prosperidade. Mas, como observador sincero, leal e desejoso de muitas glórias para minha cidade, ouso propalar a idéia na esperança de que possa ser entendida com o mesmo afã de que me vejo possuído. Bauru precisa de todos nós, e é preciso que nossos políticos se lembrem de que o povo precisa trabalhar, precisa produzir, precisa construir, e, infelizmente, parece que aqui, agora, a intenção é estagnar, com medo, talvez, de que o progresso possa ofuscar-lhes o caminho, deixando-os à margem, sem brilho, já que não possuem condições de entendimento das agruras e necessidades de uma cidade. Vamos abrir estas gaiolas para ver se os canários lá dentro cantam e uma linda vida lá dentro rola, como disse Guilherme de Almeida em um de seus versos. É Bauru que necessita de todos. (Itamir Crivelli)

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